Tamanho do texto

Herdeiros de grandes famílias de empresários criam a Uvaia, rede social de consumo que movimenta R$ 1,2 milhão por mês e inicia processo de internacionalização

Lucas Ribeiro: deixou as competições de supino para criar a Uvaia
Divulgação
Lucas Ribeiro: deixou as competições de supino para criar a Uvaia

Você já pensou em ganhar um percentual em dinheiro sobre cada compra que teus amigos no Facebook ou no Twitter fazem? Este é o conceito da Uvaia, rede social de consumo, com seis meses de existência, que conta atualmente com 120 mil usuários cadastrados – 75% deles com atividades frequentes – e que pretende chegar a 1 milhão de participantes no próximo semestre.

Leia também:  Ele tem 53 anos e já criou 32 empresas

Jovens e donos do proprio negocio


Para abocanhar os consumidores aficionados por redes sociais, a Uvaia aposta no conceito de rebate , amplamente usado no comércio norte-americano. A proposta é dar ao consumidor um “bônus” nas compras que ele fizer. No caso da Uvaia, a ideia é formar uma rede de consumidores, que comprarão seus produtos nas lojas conveniadas à rede. Já estão associadas gigantes como Walmart, Netshoes, Americanas.com, Saraiva, Carrefour, Casas Bahia, entre outros. Esses consumidores receberão parte do valor gasto em créditos, que serão distribuídos entre todos os membros que indicaram o consumidor à Uvaia. Para cumprir sua função social, a rede também destina parte dos recursos captados às ONGs Ação Comunitária e CO2Free, voltadas a projetos socioambientais.

“Nosso desafio é popularizar essa ideia do rebate  no comércio eletrônico brasileiro”, diz Lucas Ribeiro, diretor e sócio da Uvaia. Ele, que abandonou a faculdade de Engenharia e as competições sul-americanas de supino, investiu R$ 3 milhões com os sócios Fábio Cutait, José Roberto de Moraes e Ana Klein para colocar a Uvaia no ar.

Veja mais: Airtime: startup com pedigree enfrenta dificuldades

O “pedigree” dos sócios – membros de tradicionais famílias empresariais do Brasil – contribuiu para que as portas se abrissem com parceiros estratégicos. Agora, eles planejam captar US$ 25 milhões para um processo de internacionalização da rede social. O primeiro passo será dado nesta semana, com a inauguração da Uvaia no México. Até o primeiro trimestre de 2013, eles acreditam estar com a rede social em funcionamento também nos Estados Unidos e na Argentina.

O plano de negócios da rede social – um projeto pioneiro – foi patenteado nos Estados Unidos, Europa e Japão. “Infelizmente, no Brasil não é permitido patentear plano de negócios. Então, recorremos às alternativas internacionais, o que vai nos abrir oportunidades também fora do País”, completa Ribeiro.

Rede milionária

A ideia da Uvaia é bastante semelhante ao conceito da Nota Fiscal Paulista, criada pelo governo de São Paulo, que devolve 30% do ICMS recolhido pelos estabelecimentos aos consumidores. Na rede social, cada parceiro devolve à Uvaia um percentual do valor gasto na compra e, esse montante, é proporcionalmente distribuído na rede de amigos que indicaram o usuário.

A prática, no entanto, não é considerada pirâmide porque não há nenhum tipo de investimento inicial por parte dos usuários. É a loja conveniada quem destina parte do crédito à Uvaia, apostando na fidelização do cliente.

Para ingressar na rede social, o consumidor recebe um convite de um membro ativo e passa a indicar outros amigos à rede social. Ele ganhará um percentual sobre as compras realizadas por seus amigos indicados, desde que estes informem a loja parceira de que estão cadastrados na Uvaia ou forneçam o CPF na hora da compra. “A nossa diferença para a Nota Fiscal Paulista é que o cliente pode sacar seus créditos a partir de R$ 5,01, quando ele quiser”, compara Ribeiro.

Em seis meses no ar, a Uvaia atingiu faturamento mensal de R$ 1,2 milhão, com crescimento médio de 15% ao mês – no Black Friday, da última sexta-feira, a rede social movimentou R$ 502 milhões, montante 1255% maior que o volume médio diário.

Ajuste na rota

Segundo Lucas Ribeiro, que também é dono de uma rede de estacionamentos e de restaurantes em São Paulo, o público-alvo da Uvaia é o consumidor das classes B e C. Mas nem sempre foi assim. “Quando lançamos a Uvaia, cadastramos um grupo seleto de amigos para eles testarem. Mas não deu certo, porque eles não se interessavam pelos créditos”, lembra o sócio.

Com um investimento de cerca de R$ 30 mil em publicidade no Facebook, os sócios começaram a atrair um público que via mais vantagens nos créditos oferecidos pelas lojas parceiras.

Mas a Uvaia abandonou de vez o público classe A. Hoje, uma das lojas parceiras é a Itatiaia Automóveis, especializada na venda e manutenção de carros de luxo das marcas Mercedes-Benz, Dodge, Jeep e Mitsubishi. Para cada compra realizada na loja, o consumidor ganha um bônus de 0,36%. Ou seja, quem comprar o Mercedes-Benz C 180 CGI TURBO, oferecido por R$ 115,9 mil na loja, vai receber de volta cerca de R$ 420 em crédito.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.