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Sistema local pretende garantir sustentabilidade na exploração de madeira usando critérios próprios

Terceira maior fabricante de celulose e papel do mundo em volume, a Asia Pulp & Paper (APP), empresa de capital chinês sediada na Indonésia, está empenhada em ser reconhecida como uma companhia sustentável e em sintonia com os esforços nacionais de manejo florestal. Sua fábrica em Perawang acaba de receber o selo nacional SVLK (Sistim Verifasi Legalitas Kayu), que fixa regras para verificação da origem da madeira. Foi a última das nove plantas a obter o selo, garantindo à APP 100% de adesão ao SVLK.

“O mercado está demandando provas de que todos os produtos se baseiam em fontes legais, verificáveis e rastreáveis”, diz Aida Greenbury, diretora de sustentabilidade. A companhia, que iniciou as atividades em 1978, conseguiu em 2006 sua principal certificação: Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC), selo global aceito nos Estados Unidos e na Europa.

Selo nacional

O SVLK foi criado para dar garantias sobre a origem de mercadorias produzidas a partir de madeira na Indonésia, país que é alvo de preocupações internacionais por conta da devastação das florestas nativas. As condições para sua concessão são avaliadas pelo Comitê Nacional de Acreditação e auditadas pela Rede Independente de Monitoramento Florestal, um grupo formado por especialistas em manejo florestal e representantes da sociedade civil.

Além de ajudar o governo indonésio a controlar o uso dos recursos naturais do país, a certificação deve ajudar as companhias locais a atingir as exigências da União Europeia, expressas no European Union Timber Regulation (EUTR). A Indonésia já assinou com o bloco, em abril do ano passado, um entendimento sobre o tema, que entra em vigor no ano que vem.

As pressões europeias influenciam a busca por garantias de que a produção se apoia em madeira certificada. Mas, no caso da APP, o continente representa só um décimo dos embarques. Outros 10% seguem para os EUA, metade vai para a Ásia, 20% para a África e o residual é vendido para a Austrália.

“A implementação de critérios para corte, transporte e processamento de madeira está em negociação com a UE, mas não se restringe a isso”, diz Dwi Sudharto, diretor de desenvolvimento de mercados e processamento de produtos do ministério das Florestas. “Se eles não quiserem assinar um novo acordo, continuamos com nosso programa. Para quem o desrespeita, a punição é cadeia, seja executivo ou lenhador.”

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