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Empresa ganha nova gestão, com foco em resultado, e prepara-se para lançar produtos e até mudar seu nome, na tentativa de acompanhar a demanda de crescimento do mercado de educação brasileiro

Ter um produto único, trabalhado em um mercado inexplorado, promete ser a garantia de um negócio sustentável e rentável, segundo os preceitos do livro “A estratégia do Oceano Azul”, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne, lançado em 2005. A Sangari, empresa que atua no desenvolvimento de novas metodologias e materiais educacionais, atende a todos os critérios para ser um negócios de sucesso para uma empresa que nada no oceano azul. Um produto único — a empresa desenvolve kits de ciências para o aprendizado individual em sala de aula —, atua em um mercado inexplorado - as milhares de escolas públicas e privadas que querem melhorar o ensino de ciências em suas escolas. Mas isso não foi garantia para que a empresa, fundada em 1997, tivesse lucro, o que é surpreendente visto que novas empresas têm uma alta taxa de mortalidade.

“A Sangari se desenvolveu sem limitações financeiras, por conta da crença do investidor de que a empresa daria lucro no futuro. A questão é que ele deve ter pensando em um futuro de cinco anos e não 13”, afirma Ricardo Garcia, executivo do mercado financeiro que assumiu a gestão do negócio em abril deste ano, no lugar de Ben Sangari, o fundador da empresa, que vendeu a participação majoritária do negócio para o pecuarista John Gottheiner em 2002 — o empresário faleceu em novembro do ano passado, e a Sangari continua sob comando dos três filhos de Gottheiner, que decidiram profissionalizar a gestão da empresa e torná-la rentável.

Esse trabalho ficou a cargo de Garcia. “Fizemos a compra do capital restante da empresa de forma amigável”, diz Garcia, que tem como meta fazer uma gestão “enxuta e sustentável do negócio”. “Os acionistas me deram carta branca”, conta o executivo, que por muitos anos, atuou na compra e venda de empresas no mercado financeiro.Ele garante que sua função não será vender vender a empresa, apesar de admitir que não faltam compradores, e sim,

“Em setembro, a Sangari alcançou seu ponto de equilíbrio financeiro e vamos fechar com um pequeno lucro neste ano”, comemora Garcia, que não divulga o valor.

A estratégia de Garcia é mostrar que não há espaços para luxos desnecessários. “Reestruturamos a diretoria, que agora está focada em dar resultado”, conta. Ele explica, por exemplo, que hoje a diretoria de pesquisa e desenvolvimento foi desmembrada, criando uma área com foco em serviços de formação de professores.

Novo nome e novos produtos

A estratégia de crescimento da Sangari está focada no lançamento de novos produtos e também em uma mudança institucional, que começa pelo nome. “A marca Sangari foi adquirida com a compra da empresa, mas ela remete ao fundador, por isso em determinado momento, vamos mudar”, conta.

Garcia planeja para o próximo ano uma revisão de seu portfólio de produtos. A empresa vai lançar uma nova versão do CTC - Ciência e Tecnologia com Criatividade, que reúne livro didático, kits de ciência para experiências individuais dos alunos e também formação dos projetos, além de um novo produto para aulas extra curriculares, por enquanto, batizado de Oficina de Ciências. O executivo conta ainda que a Sangari vai lançar um produto digital, sem dar detalhes. “Acreditamos que o serviço digital não é PDF, é uma tecnologia capaz de acompanhar o crescimento individual do aluno”, conta. Games também estão na mira.

Operação no exterior

Em 2007 a Sangari começou as operações na Argentina. O negócios foi interrompido neste ano, com o fim do contrato com o governo do país. “Estamos sem escritório lá no momento, mas temos todo o material adaptado para o espanhol e para o currículo argentino. E vamos voltar a buscar parcerias com o governo”, diz Garcia. No caso dos Estados Unidos, a negociação foi diferente. A Sangari criou um start up nos EUA em 2009, para adaptar o produto brasileiro às necessidades americanas. “O mercado tem características muito próprias e a Sangari achou melhor se unir a um investidor que conhece esse mercado, a Palm Ventures — investidora e sócia nos EUA”, afirma o executivo. A Palm Ventures não tem nenhuma influência nas operações do Brasil e, segundo a empresa, não existe nenhuma intenção de que isso mude.

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