Tamanho do texto

Ganhos foram 4% menores no terceiro trimestre, após baixo desempenho de linhas de luxo

A Spring Global, fabricante de artigos de cama, mesa e banho controlada pela Coteminas, não está contente com seu desempenho no varejo. Abaixo das projeções, as vendas das linhas MMartan e Casa Moysés tiveram participação menor na receita da companhia, que apresentou redução no lucro bruto de 4% neste terceiro trimestre de 2012. No período, o lucro foi de R$101 milhões, ante R$105 milhões no ano passado.

- Veja também: cerca de 40 redes de varejo estrangeiras invadem o Brasil

“Os resultados do varejo não foram tão bons, mas as coleções de janeiro serão muito mais ajustadas ao mercado”, diz Josué Gomes da Silva, presidente da Spring Global em reunião com investidores e analistas da companhia nesta quarta-feira (21). A linha Casa Moysés, responsável por 30% das vendas do grupo, representou apenas 10% do varejo nesse trimestre. No ano passado, a companhia anunciou que abriria pelo menos mais de 50 lojas da marca em shoppings voltados para a classe alta.

A Casa Moysés é a linha de produtos com maior valor agregado da Spring Global com foco na classe AA, um conjunto de cama custa em média R$350 e as tolhas de banho, R$40. Para explicar o baixo desempenho da marca, o presidente do grupo citou a desvalorização cambial, o inverno tardio no Brasil e a necessidade de maior integração entre varejo e indústria. “Se há proximidade entre essas esferas, a assertividade no estoque aumenta, não falta e nem sobra mercadoria, o que leva a resultados melhores”, diz.

Além do desempenho insatisfatório no varejo, as operações nos Estados Unidos também impactaram o balanço do grupo. O varejo de superfície tornou os produtos de cama, mesa e banho commodities em terras norte-americanas. “Redes como Wal-Mart estão preocupadas com volume, eles diminuem a margem de lucro e vendem em quantidade, não tem como competir”, diz Gomes da Silva. “O varejo brasileiro está evitando isso”.

Para contornar o desempenho desse trimestre, a Spring Global está vendendo parte de suas operações norte-americanas. A fábrica de tapetes que o grupo mantém no país, por exemplo, se não for vendida até o final deste ano, será fechada. A companhia pretende manter apenas a operação da fábrica de travesseiros que possui nos Estados Unidos. “Ela apresentou rentabilidade razoável, é uma operação com baixo capital de trabalho e no setor somos competitivos”, diz o presidente. A expectativa é que a operação represente 20% do lucro da empresa no próximo ano.

No Brasil, para melhorar seus rendimentos, a Spring Global pretende investir em franquias e em empreendimentos imobiliários. “Pretendemos criar uma rede de varejistas franqueados”, diz Levindo Santos, diretor de relações com investidor da empresa. “Vamos oferecer inteligência de varejo, marketing e operação, mas isso representa um baixo investimento para o grupo”. “Temos certeza de que as franquias serão bem sucedidas e nos trarão retornos positivos”, diz o presidente, Josué Gomes da Silva.

Além disso, no terreno das três fábricas desativadas pela companhia nesse ano, serão erguidos empreendimentos como shoppings, conjuntos habitacionais, hotéis e centros de convenções. “Nós não estamos entrando no setor imobiliário, mas essas unidades estavam inadequadas para o uso fabril e localizadas em áreas de alto valor”, diz Levindo Santos. As unidades ficam em São Gonçalo (Rio Grande do Norte), Montes Claros (Minas Gerais) e Blumenau (Santa Catarina), e a Spring Global estuda parcerias com profissionais da área imobiliária nessas regiões.

Outra estratégia da companhia é o crescimento da participação no Mercosul, principalmente na Argentina. A Spring Global comprou metade de uma marca de cama, mesa e banho pertencente à Alpragatas no país, só com licenciamento dos produtos, a companhia estima obter 20% de retorno do investimento inicial.

Segmentação de marcas

No Brasil, a Spring Global mantém quatro marcas-chefe: Casa Moysés, MMartan, Artex e Santista. Cada uma das bandeiras atende a consumidores de classes sociais diferentes, dessa forma a companhia tenta abraçar todos os setores do vasto mercado consumidor brasileiro. “O comando da estrutura de varejo é único, mas cada bandeira tem sua própria equipe de marketing, desenvolvimento de produto e design”, diz Josué Gomes da Silva. “A segmentação do mercado é fundamental”.

Sobre a possibilidade de agregar uma quinta marca ao grupo, o presidente da companhia afirma que no Brasil, há uma empresa grande do setor passando por reformulações e que se houver oportunidade e o preço for bom, a Spring Global vai estudar o caso. O nome da companhia, Josué não revela.

A Spring Global possui 219 pontos de vendas no Brasil, até o final deste ano a expectativa é que mais 13 lojas sejam abertas. Apesar do desempenho abaixo da média no varejo, a receita líquida da companhia cresceu 54% neste trimestre, alcançando R$ 193 milhões.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.