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A construtora e operadora PDG Realty vem lutando por trimestres consecutivos contra estouros de orçamento, atrasos de entregas e, consequentemente, redução de lançamentos

Reuters

A construtora e incorporadora PDG Realty está apostando na revisão detalhada de suas operações para voltar aos trilhos, plano que inclui o cancelamento da projeção de lançamentos para 2012 e a possibilidade de novos ajustes de custos.

Em teleconferência com analistas nesta sexta-feira (16), o presidente-executivo da PDG, Carlos Piani, afirmou que "sim, é possível ter novas revisões de custos em projetos em construção".

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"Apesar do trabalho feito pela administração anterior, estamos revisando tudo", acrescentou o executivo, que assumiu o comando da companhia em setembro, no lugar de Zeca Grabowsky, que ocupou o posto por seis anos.

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A PDG vem lutando por trimestres consecutivos contra estouros de orçamento, atrasos de entregas e, consequentemente, redução de lançamentos, buscando priorizar venda de estoques e normalização das entregas, com foco em rentabilidade e redução de despesas.

Nesse sentido, a nova administração, que contou também com a ida de Marco Racy Kheirallah para o cargo de diretor financeiro e de Relação com Investidores, decidiu revisar detalhadamente o orçamento de todas as obras em curso para, depois, divulgar um plano de negócios com novos objetivos de longo prazo.

O resultado deste trabalho, conforme Piani, deve ser apresentado juntamente com o balanço do quarto trimestre, em 2013, ano em que os efeitos também devem começar a aparecer.

"O ano de 2013 vai ser muito bom para a companhia, vai ser o ano que refletirá a nova gestão e o início de uma nova fase", disse ele, ressaltando que os resultados do quarto trimestre ainda não devem ser vistos como referência da nova administração.

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O novo plano, que pode incluir a venda de ativos menores não fundamentais para a empresa, tem como uma das principais prioridades a redução das despesas administrativas que, segundo Piani, "estão muito acima do que esperamos para o futuro".

As despesas gerais e administrativas somaram R$ 142 milhões no terceiro trimestre, alta anual de 35,1 por cento, enquanto as com vendas ficaram em R$ 62,3 milhões.

"Estamos muito no início do processo de redução de despesas, mas este é o foco principal da empresa", disse o executivo. "Não vemos qualquer cenário de aumento de despesas em relação ao nível atual, elas irão ceder".

A PDG também optou por cancelar a projeção de lançamentos para este ano, que era de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões. Tal estimativa, contudo, já era fruto de um corte feito em julho, contra previsão anterior de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões. No início do ano, a companhia previa lançamentos entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões para 2012.

"O foco da companhia não é para atingir 'guidance' de lançamentos, estamos focando em planejar o futuro", disse Piani. Segundo ele, a empresa também está estudando se voltará a traçar projeções em 2013.

"O ciclo do setor é plurianual. Estamos discutindo formas de subsidiar o mercado com alguns parâmetros, mas mais alinhadas com a natureza do nosso negócio", afirmou.

Após enfrentar uma série de ajustes ao longo do ano passado, a PDG já havia sinalizado que tinha como meta para 2012 colocar suas operações em ordem, com foco em vendas e reestruturação interna.

"A imagem da companhia não foi afetada pelas mudanças que estamos fazendo", assinalou Piani.

A reestruturação das operações da PDG ocorre após aporte de R$ 796 milhões pela gestora de recursos Vinci Partners por meio de bônus de subscrição. Nesta sexta-feira, Piani descartou a possibilidade de outro aumento de capital.

Na quinta-feira, a PDG apresentou lucro líquido de R$ 27,1 milhões para o terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 450 milhões do segundo trimestre, mas %89,5 menor ao ganho de igual período de 2011.

Nesta sexta-feira, as ações da empresa se desvalorizavam na Bovespa e, às 12h22, caíam 3,8%, a R$ 3,02, enquanto o Ibovespa recuava 0,55%.

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