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Companhias brasileiras perdem espaço para mexicanas em ranking de maior valor

O Brasil diminuiu sua participação no ranking das 500 empresas de maior valor do mundo e está perdendo espaço para o México. Dados compilados pela Bloomberg apontam que o país, que tinha 15 empresas entre as maiores em valor de mercado do mundo há dois anos, possui hoje apenas dez.

Neste período, o governo da presidente Dilma Rousseff renegociou contratos de concessões elétricas, pressionou bancos a reduzirem suas margens de lucro, forçou a Petrobras a praticar preços de combustíveis abaixo do mercado e deixou o Real de lado. Enquanto o México viu sua participação aumentar de cinco para nove empresas graças à recuperação econômica dos Estados Unidos. Esta é a menor distância entre os dois países desde 1998.

Para o professor de Finanças do Ibmec-RJ Ruy Quintans, a piora na situação das empresas brasileiras tem duas causas: uma mais imediata, que é a queda do preço das ações das empresas do Grupo X, do empresário Eike Batista, e a conjuntura econômica que o Brasil atravessa, principalmente relacionada à indústria e por conta da crise econômica mundial; e outra mais duradoura, que são as perspectivas macroeconômicas ruins para o país nos próximos anos, apesar dos sinais de recuperação.

Ações da OGX Petróleo & Gás Participações SA e da Centrais Elétricas Brasileiras SA, Eletrobras, foram as que mais caíram no Brasil, nos últimos dois anos, o que as excluiu do ranking. O Ibovespa acumula uma queda de 33% em dólares no mesmo período. A desvalorização, que eliminou US$ 323 bilhões em valor de mercado, foi a maior do Ocidente, ficando atrás apenas das perdas de 41% da bolsa argentina.

Quintans ressalta que os baixos investimentos públicos, inclusive em infraestrutura, a lentidão na burocracia política e uso das empresas públicas, principalmente a Petrobras, como instrumento político, afastam os investidores. “Temos ainda o caso da Vale, que depois de um período muito bom, foi prejudicada pela a queda dos preços das commodities”, completa Quintans.

Quintans credita o crescimento das empresas mexicanas à parceria com a maior economia de mercado do mundo, que mostra recuperação depois da crise, os Estados Unidos. “Para fazer negócio com o seu vizinho, o México teve que se adaptar ao viés e à velocidade da economia americana, fazendo parcerias com mercados específicos”, explica.

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