Tamanho do texto

Divisão voltada para clientes de baixa renda passou por processo de reestruturação

Depois de um ano de perdas com a construtora Tenda, a Gafisa prepara a volta de lançamentos da divisão para a classe baixa para o primeiro trimestre de 2013. Flávio Ramalho Cone, analista do Banif, lembra que em 2011 a Gafisa parou de lançar imóveis da Tenda, pois, em 2008, quando adquiriu a construtora, herdou problemas de projetos mal conduzidos. “As vendas foram mal feitas. Os imóveis são para a baixa renda e muita gente comprou e não conseguiu arcar com os custos”.

Diante de isso, a Gafisa recuperou os imóveis e foi atrás de novos compradores. Segundo Rodrigo Osmo, diretor superintendente da Gafisa, o total de repasse para o segundo cliente já alcançou 70% do total readquirido. “Nossa visão é manter o bom trabalho e o foco da equipe na conclusão e entrega das atuais unidades. Assim, não lançaremos os R$ 300 milhões que tínhamos originalmente planejado para a marca esse ano”, diz Duilio Calciolari, diretor presidente da Gafisa.

Para o analista do Banif, a Tenda é um negócio estratégico para o desempenho da construtora. “Não é algo que irá elevar a rentabilidade, mas agrega valor à marca. O ganho não é alto, porém é um negócio extremamente procurado, com alta demanda. Enquanto o retorno do investimento da Gafisa é de três anos, o da Tenda é de um ano”, complementa Cone.

Ele aponta ainda que com a reestruturação, os negócios da Tenda vão acelerar. “Se a empresa tiver estrutura e escala adequada o lucro só tende a aumentar. Em 2008, quando foi comprada, o business de baixa renda era a melhor opção e a Gafisa percebeu isso. Hoje, com o programa Minha Casa Minha Vida há muita demanda e pouca oferta”, diz o analista.

No entanto, Rodrigo Osmo diz que a companhia terá muitos desafios pela frente. Entre eles, a disciplina nos lançamentos. “Só faremos lançamentos de contratos 100% com a Caixa Econômica Federal. Além disso, vamos focar em um determinado perfil para os empréstimos bancários”, conclui o diretor.

Outro passo que a Tenda escolheu para não se endividar é a tecnologia. Osmo explica que existem duas técnicas principais, a alvenaria estrutural e a forma de alumínio. Este última foi a opção escolhida, por ser de custo mais baixo. Com esta nova fase, Duilio Calciolari aposta em margem bruta de 30% e mais de 10% na margem líquida. A Gafisa lucrou R$ 4,8 milhões no terceiro trimestre.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.