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O temor dos empresários brasileiros em investir no vizinho é tanto, que, segundo dados do Banco Central, os aportes de capital na Argentina caíram 61,2% este ano, somando US$ 336 milhões entre janeiro e setembro

Brasil Econômico

Por que investir na Argentina, se existem mercados com maior potencial de crescimento na América Latina, como Colômbia e Peru? Esta foi a indagação de alguns executivos presentes hoje em um seminário da Câmara de Comércio Argentino Brasileira (Camarbra). Segundo os palestrantes, a Argentina possui instituições e regulamentação fracas; as importações devem aumentar, mas restrições existirão; o retorno do investimento pode não acontecer no curto prazo; mas nenhum outro país no continente possui laços tão estreitos com o Brasil.

O temor dos empresários brasileiros em investir no vizinho é tanto, que, segundo dados do Banco Central, os aportes de capital na Argentina caíram 61,2% este ano, somando US$ 336 milhões entre janeiro e setembro. O valor representa apenas 3,75% do total de investimentos brasileiros no exterior.

De acordo com o economista Orlando Ferreres, a situação econômica do país é cada vez mais insuportável. Por lá, existem subsídios em combustíveis, energia elétrica, transporte público e outros tantos. Em alguns, o preço real do serviço ou bem é seis vezes superior ao pago pela população. “O governo se verá forçado a tomar medidas impopulares. O gasto público é insustentável e, mesmo assim, Cristina (Kirchner, presidente do país) não consegue inverter a tendência de queda de sua popularidade”, diz Ferreres.

A rejeição ao governo Kircher, que conquista apenas 34% de aprovação, levou mais de um milhão de pessoas às ruas para protestar na última semana. Vale comparar que, enquanto um milhão de brasileiros representam 0,5% da população, no país vizinho, os batedores de panelas significam expressivos 2,5% do total de argentinos.

Porém, Ferreres diz que a proximidade entre Argentina e Brasil força os investimentos de grandes companhias no parceiro de Mercosul. As principais marcas globais e brasileiras estão presentes em ambas nações desde a criação do bloco. Este é um dos fatores que alavancaram o fluxo comercial.

Ferreres destaca também que, depois de 2002, com a desvalorização do real, ficou evidente a falta de competitividade do país vizinho. “O comércio entre Brasil e Argentina sempre será favorável ao Brasil. Os investimentos por lá continuarão, pois é conveniente para as grandes companhias. Agora, as pequenas e médias empresas também ingressam nesse movimento de integração”, explica.

Um dos projetos mais ambiciosos entre empresários brasileiros e argentinos é um acordo de cooperação entre a província de Córdoba e industriais nacionais. O acordo, que deve fomentar os investimentos e implementar uma integração produtiva de máquinas e equipamentos, no entanto, tem de passar pela aceitação da presidente Cristina Kirchner.

Liderado por um opositor, o governador cordobez, José Manuel de la Sota, o projeto corre o risco de encalhar caso se mostre desfavorável às políticas protecionistas do governo federal. “Se houver qualquer ganho político, Cristina irá apoiar. É nisto que estamos trabalhando”, afirma Roberto Luis Troster, consultor na Camarbra. 

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