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Faturamento de companhias de “turn around” dispara com ano difícil para as finanças corporativas

O mau ano brasileiro, que deve culminar em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 1,5%, está aquecendo um mercado que se alimenta justamente de crises e dados macroeconômicos ruins: o de recuperação de empresas.

Companhias especializadas na reestruturação financeira de empresas, conhecido como “turn around”, faturam como nunca neste ano de 2012. Segundo os executivos consultados pela reportagem do BRASIL ECONÔMICO, seus faturamentos podem crescer até 40% neste ano.

Entre os pontos que levaram à essa situação, diz Luis Paiva, diretor da Corporate Consult, estão a inadimplência no setor varejista e os altos custos para a rolagem de dívidas. Segundo ele, existe um atraso entre a evolução econômica do país e os balanços de pequenas e médias empresas, que sofrem uma paulatina deterioração das contas internas até que uma crise seja deflagrada dentro da companhia.

Ele conta que, apenas na última semana, 18 novos casos de recuperação foram apresentados a ele. “Antes, nossa maior carteira era de empresas em recuperação judicial, agora, metade buscam uma reestruturação por mecanismos gerenciais, como forma de prevenção”, afirma o executivo.

Um de seus clientes, a Trivisan, fabricante de latas de tinta, adotou um sistema de governança corporativa como resultado dos trabalhos da consultoria. Depois de seis anos, ela voltou a crescer. “A economia brasileira não cresceu o que todo mundo esperava este ano, mas conseguimos um bom desempenho ao fazer uma gestão mais ajustada com as necessidades do mercado”, comemora Ricardo Montenegro, executivo da Trivisan.

Ricardo Barbosa, diretor da Innovia Training & Consulting, alerta que 52% das companhias não sabe que possui problemas internos de administração. “Quando as empresas chegam a nós, vêm em uma situação crítica, em um momento de crise. Conseguimos salvar entre 20% e 25% delas”, diz Barbosa.

Ele conta ter recebido uma alta na demanda de 30% este ano. “São trabalhos longos, entre 12 e 36 meses para salvar uma empresa.”

Segundo Flávio Calife, economista da Boa Vista Serviços, após dois anos de queda no número de abertura de processos de falência, 2012 se mostra pior que até mesmo 2009 — ano em que o Brasil sofreu mais com a crise internacional.

Ele alerta para o alto crescimento no número de pedidos, 21% de acordo com a Boa Vista. No entanto, mesmo com o expressivo aumento, os números gerais ainda são menores do que em 2005, ano que foi promulgada a lei de falência.

Naquele ano, quase 3 mil empresas faliram, enquanto que neste ano, até setembro, apenas 544. “Hoje é mais difícil falir uma companhia. Ao passo que as falências caíram, o número de recuperações judiciais cresceu rapidamente. A lei trouxe um perfil melhor para os dados das companhias brasileiras”, afirma Calife.

Para ele, o mecanismo que substitui a concordata dá fôlego para que as companhias consigam se reestruturar. “Juridicamente, muitos criticam a recuperação judicial. Porém, a concordata era praticamente uma liquidação. Hoje, as empresas conseguem se salvar”, explica o economista.

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