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Empresa é uma das que mais investem em produção nacional

O governo federal causou alvoroço nas empresas de saúde ao anunciar, no início do ano, que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai poder adquirir medicamentos, fármacos e equipamentos produzidos por indústrias nacionais com preços até 25% acima dos praticados no mercado. A iniciativa fez disparar as notícias sobre empresas aumentando a produção no Brasil. Mas para o vice-presidente da Philips da área de Healthcare da Philips Brasil, Vitor Rocha, outras ações tem maior potencial de beneficiar o setor. “Hoje, gostaríamos de ver mais iniciativas como a redução do preço de energia elétrica e também o corte de nos impostos trabalhistas, que beneficiou alguns setores”, diz Rocha, que, em toda a América Latina, tem o governo como maior cliente — responsável por 30% das vendas. Não que as margens de preferência sejam algo ruim, afinal, afinal, entre 2007 e 2010, a empresa investiu ¤ 350 milhões para adquirir cinco empresas locais.

A Philips Healthcare mudou sua estrutura de produção e, atualmente, 64% de suas vendas são de produtos fabricados no país. Dentre as linhas que foram nacionalizadas, a mais recente é o mamógrafo digital, que, agora entra na lista de produtos de alta tecnologia financiados pelo Finame. “Os clientes podem comprar com juros 2,5%, o que é muito competitivo”, diz Rocha. A diferença de preço também é significativa em relação aos produtos importados, cerca de 5%.

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Para dar um impulso em sua área de equipamentos, a Philips adquiriu a VMI Sistemas Médicos, de lagoa Santa (MG), que fabrica aparelhos de raio-x digitais e analógicos. Porém, a área de maior potencial de vendas da empresa está na tecnologia da informação e homecare, o que justifica os investimentos na Dixtal, que produz monitores digitais, e também nas empresas de software para saúde, Tecso e Wheb.

No ano passado, inovações para acompanhamento domiciliar cresceram 25% no Brasil, enquanto as soluções de informática cresceram 20%. “São as áreas que mais crescem, porém equipamentos primários ainda são responsáveis pela maior parte do faturamento no país.”

A busca por maior produtividade dentro dos negócios da empresa também é uma demanda do setor de saúde. E o Brasil pode ganhar destaque, inclusive, exportando tecnologia de software. “Todas as nossas unidades têm uma área de pesquisa e desenvolvimento”, diz.

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A área de saúde responde por 40% das vendas globais da Philips. No Brasil, a participação é um pouco menor, 5%. Mas essa diferença pode mudar nos próximos anos, já que os negócios da América Latina — onde o Brasil é parte significativa dos negócios — deverão ter um crescimento de 20% neste ano. “E prevemos crescer dois dígitos no próximo ano”, ressalta. Isso por conta de uma particularidade da região. “A América Latina é um local de contrates. Há locais que trabalham com a melhor tecnologia robótica e outros, onde não encontramos uma pia para lavar as mãos”, avalia. E, segundo Rocha, engana-se quem imagina que a tecnologia é o segredo para melhorar essa diferença. “Vemos locais com equipamentos do século XXI e estrutura e processos do século passado”, afirma.

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