Tamanho do texto

Empresa do armador dinamarquês Maersk Line projeta crescimento via Norte e Nordeste do Brasil

Depois de comandar a fusão de empresas no transporte rodoviário e levar a holandesa TNT Express a um outro segmento de negócios no Brasil, Roberto Rodrigues tem mais um desafio: convencer os clientes de caminhão que a distribuição via transporte marítimo é o mais viável em longas distâncias. Em dois anos que Rodrigues está à frente da Mercosul Line, uma empresa do grupo Maersk, ele conseguiu ganhos importantes. Em 2010, a companhia transportou 85 mil TEUs (medida para contêineres de 20 pés) e neste ano esse volume pode chegar a 110 mil TEUs. Além disso, trouxe para o navio cargas que eram essencialmente rodoviárias.

“Sempre vão existir cargas que são rodoviárias por sua essência, ou pelo perfil de uma determinada empresa. Mas, existem clientes que são convencidos de que a cabotagem é a melhor opção, principalmente quando o destino é Norte e Nordeste do país. Por isso, há estudos para aumentar o número portos que vamos escalar no ano que vem”, disse Rodrigues.

Hoje, a Mercosul Line tem escalas nos portos de Manaus, Suape (PE), Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Itaguaí (RJ). A ideia é parar os navios também nos terminais de Salvador (BA) e Pecém (CE). “Temos três navios próprios operando nos portos em Pecém, além de um serviço em conjunto com outra empresa. Queremos escalar este terminal com nosso navio, como também em Salvador. Há carga suficiente para a região que justifica o aumento da operação”, afirmou Rodrigues.

Segundo o executivo, os navios que partem de Itajaí sobem com cerca de 90% da capacidade instalada ocupada. Geralmente, as embarcações levam muita carga frigorificada, material de construção, além de bobinas de aço.

No frete de retorno, em contrapartida, os navios partem de Manaus 60% cheios. De lá o que mais se transporta são produtos eletroeletrônicos, bebidas e garrafa pet.

“A região que mais cresce no país é a Norte/Nordeste. E, além disso, em razão das obras da Copa do Mundo e o movimento está a todo vapor. Agora, o frete de retorno não compensaria aumentar o número de navios em serviço. Por isso, optamos por escalar mais portos e assim, atender a demanda hoje existente na região”, afirmou.

O trajeto de Manaus a Santos leva em média 14 dias de navio, segundo Rodrigues. No ano que vem, com a nova legislação do transporte rodoviário, que prevê uma carga horária para o motorista de oito horas, com a cada meia hora de descanso, o tempo de viagem ficará igual ao do navio. Hoje, um caminhão demora cerca de 11 dias entre os dois portos.

“A expectativa é que com essa medida a demanda aumente muito na cabotagem. Além disso, o próprio crescimento econômico, em torno de 4% em 2013, também deve levar muitas empresas a pensar na navegação costeira como parte de sua matriz de transporte. Será um ano bom para a companhia”, ressaltou o executivo.

Segundo Rodrigues, a meta é crescer cerca de 10% o transporte no ano que vem, chegando a em torno de 120 mil TEUs.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.