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No Brasil, para atrair clientes, rede cede à política de preço baixo, como o rival McDonald’s

Brasil Econômico

Rede, comprada por brasileiros em 2010, teve queda de 30% na receita nos EUA
AFP
Rede, comprada por brasileiros em 2010, teve queda de 30% na receita nos EUA

O Burger King demorou, mas acabou cedendo à política de preços baixos implantada pelo seu maior concorrente, o McDonald’s, há três anos. Desde o início deste mês, a promoção “Preços Irresistíveis” oferece cinco sanduíches por R$ 5 cada, enquanto a rede do palhaço de cabelo vermelho vende lanches a R$ 6 e algumas sobremesas por R$ 3,5.

A estratégia foi destinada apenas para o Brasil, mas executivos da rede têm buscado alternativas para os demais mercados onde a companhia está presente, já que todos eles registraram quedas nas vendas nos últimos meses. Nos EUA e no Canadá, por exemplo, a companhia está incluindo no cardápio itens como bebidas de frutas e saladas para atrair as mulheres.

No terceiro trimestre de 2012, a rede vendeu US$ 33,5 milhões na América Latina, uma queda de 1,2% na comparação com mesmo período do ano anterior. A companhia não revela o faturamento no Brasil, mas dá sinais de empolgação com o país. A rede fechou o trimestre com 1,28 mil lojas na América Latina, 104 a mais na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esta expansão foi puxada pelo número de lojas abertas no mercado brasileiro, cuja operação é comandada pelo executivo Iuri Miranda. Atualmente são 240 unidades no Brasil.

América Latina foi a região onde a companhia teve seu melhor desempenho, já que nas outras áreas a queda nas vendas foi muito maior. Nos Estados Unidos e no Canadá a receita despencou 30,2%. Na região que engloba a Ásia e os países do Pacífico, o recuo foi de 22,4%. O desempenho também foi negativo na Europa, África e Oriente Médio, cujas vendas caíram 19,5%. A receita global da companhia foi de US$ 451,1 milhões, 25,8% menor. O lucro líquido despencou 83% ficando em US$ 6,6 milhões.

Fundada em 1954, o Burger King é a segunda maior rede de fast food de hambúrgueres do mundo, atrás apenas do McDonald’s. São mais de 12,5 mil restaurantes espalhados por 81 países, os quais atendem cerca de 11 milhões de consumidores diariamente. No Brasil, a rede chegou em 2004 pelas mãos de um conjunto de investidores liderados pelo empresário Luiz Eduardo Batalha. A trajetória da companhia no país não foi fácil. Primeiro surgiram os problemas entre o grupo de sócios da rede, que contava ainda com o apresentador da rede globo Galvão Bueno e o piloto de fórmula Indy Hélio Castro Neves.

Além dos desentendimentos com os sócios, Batalha sofreu pressão do Burger King desde o início, pois não conseguia abrir lojas no ritmo desejado pela corporação americana. Até que em 2010 a operação mundial do Burger King foi comprada pelo grupo 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lehman, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Pouco tempo depois eles se uniram ao carioca Gilberto Sayão, dona da gestora de recursos Vince Partners para, juntos, acelerarem a expansão da rede de lanchonetes. A família Batalha, na época dona de dezenas de restaurantes na cidade de São Paulo e no interior do estado, acabou se desfazendo de suas unidades.

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