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Marfrig e Minerva devem fazer ofertas para reduzir dívidas, mas, em contrapartida, vão diluir o capital

Na última semana, dois dos maiores frigoríficos do país anunciaram operações que devem alterar a composição acionária das companhias. No dia 19, a Minerva informou que, juntamente com seu controlador VDQ Holding, apresentou à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) pedido de análise para distribuição pública primária e secundária de ações ordinárias. Segundo o comunicado, a empresa pretende distribuir 37,5 milhões de ações ordinárias, o que pode significar um aumento no caixa de R$ 442,1 milhões, segundo cálculos da Reuters. No dia 24, foi a vez do Marfrig divulgar que planeja fazer a captação de R$ 1,1 bilhão — sem contar os lotes adicionais.

A pergunta que fica no ar é se os frigoríficos encontraram uma janela de oportunidade ou estão prestes a levar adiante as operações apesar do momento incerto vivido pelo mercado de capitais. “As companhias vão fazer mais pelo dinheiro do que por terem achado uma brecha. Elas precisam resolver a questão do endividamento”, diz um analista que preferiu não se identificar. Para Roberto Altenhofen, analista da Empiricus Research, oferta subsequente ( follow on) do Marfrig pode ser encarada como um pedido de socorro. “A eventual entrada de R$ 1,1 bilhão soa como mero paliativo frente ao R$ 1,4 bilhão de queima de caixa os primeiros nove meses de 2012. O balanço continua de pé, mas ainda respirando sob a ajuda de aparelhos”, escreve em relatório. De acordo com cálculos da casa, a oferta somada com os potenciais lotes adicionais e suplementares perfazem um volume proporcional de 30% a 35% ao valor de mercado da Marfrig.

Já Pedro Herrera, analista do HSBC, vê na operação apenas uma ligeira melhoria nos parâmetros de alavancagem. “A Marfrig conseguirá reduzir a alavancagem, passando de um índice de dívida líquida/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses de 4,8 vezes para 4,3 vezes, causando certa redução da carga de juros. No entanto, a emissão implica diluição significativa no médio/longo prazos.”

No caso da Minerva, os analistas Alexandre Miguel e Felipe Cruz do Itaú BBA preveem uma queda em 10% no preço-alvo para as ações depois de concluída a operação, situando-o em R$ 12,70 para 2013. O lucro por ação da companhia também deve cair cerca de 13% no ano que vem. Por outro lado, os analistas afirmam que a emissão permitirá reduzir o custo futuro de capital para o frigorífico, além de aumentar a liquidez das ações. “A desalavancagem, maior liquidez das ações e mais oportunidades de crescimento são positivos no longo prazo”, afirmam os analistas, em relatório.

A Minerva pretende usar 65% do montante captado para reduzir sua dívida, enquanto os outros 35% serão alocados no plano de investimentos da companhia. Para Altenhofen, o frigorífico tornou-se referência para o setor, o que fica evidente na evolução da capacidade utilizada de abate. “Ela soltou resultados sólidos, acumulou geração de caixa operacional de R$ 445 milhões nos últimos 12 meses - o que, por si só, traz um argumento contundente contra a suposição de que as ações estão caras após 140% de alta no ano.” A companhia é a terceira colocada no ranking de rentabilidade no ano com 115,18%, perdendo para Forjas Taurus e Estácio Participações. Na sexta-feira, as ações caíram 0,55%.

Já os papéis da Marfrig acumulam alta no ano de 23,07%. No pregão de sexta-feira, registraram valorização de 3,44%, enquanto o Ibovespa teve queda de 0,97%. (Com Reuters e Felipe Peroni)

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