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No BB, há 50 operações em análise; no Bradesco, a alta é de 72% no ano; BNP tem 6 para sair e está otimista com 2013

Nos próximos meses, uma enxurrada de operações de “project finance” (financiamento de grandes projetos a longo prazo) serão anunciadas no país. Somente o Banco do Brasil (BB) analisa atualmente mais de 50 negócios — e a expectativa é de que a fila aumente ainda mais, segundo Renato Proença Lopes, gerente executivo da diretoria comercial do BB. Até junho, o banco tinha desembolsado nada menos do que R$ 5 bilhões em recursos em linhas de longo prazo. “Há um intervalo de aproximadamente seis meses entre o começo das negociações e sua conclusão. O efeito é retardado”, diz — ou seja, no ano que vem o mercado estará bombando.

No Bradesco, Leandro Miranda, diretor da área de renda fixa do BBI (o banco de investimentos do conglomerado) espera terminar o ano com 31 operações de project finance, ante 18 em 2011 — em termos de volume, serão R$ 7 bilhões (ante R$ 5 bilhões no ano passado). Para 2013, a expectativa é de crescer de 30% a 50%, diz. “Nos próximos cinco anos, somente o setor de infraestrutura vai precisar de R$ 390 bilhões de financiamentos”, diz Miranda.

O BNP Paribas também está muito otimista. O banco coordenou a colocação de uma das duas únicas debêntures incentivadas (isentas de IR para pessoas físicas) lançadas até agora, de R$ 25 milhões, por 17 anos, para a Montes Claros (concessionária de transmissão de energia elétrica controlada pelo grupo espanhol ACS). E foi o assessor financeiro do grupo que ganhou a concessão do aeroporto de Cumbica (Guarulhos). Até o final do ano, o banco vai estruturar um financiamento de US$ 1 bilhão para o negócio.

Jean-Valery Patin, diretor de project finance para a América Latina do BNP, diz que tem mais um novo negócio já assinado, em vias de ser anunciado, e outros cinco em fase bem adiantada de negociação.

O banco tem experiência em negócios envolvendo emissão de debêntures na região: foram 8 operações que somaram algo em torno de US$ 3,5 bilhões neste ano — fora o que está no forno, que deve acrescentar outros US$ 4 bilhões.”São volumes significativos, e crescentes. As debêntures incentivadas (isentas de imposto de renda para investidores pessoas físicas) são uma grande avenida aberta à nossa frente.”

O banco francês tem 15 pessoas na região (cinco das quais no Brasil) dedicadas a esse negócio — com foco na área de infraestrutura. No Bradesco, a equipe foi reforçada recentemente e no BB, são cerca de 70 pessoas.

Serviço completo

Todos os bancos querem, em primeiro lugar, conquistar o cliente com serviços de assessoria financeira, para sugerir a estrutura de capital mais adequada; também querem intermediar as soluções, buscando empréstimos e capturando investidores pessoas físicas ou investidores institucionais, dependendo do caso. Para isso, as áreas dedicadas a project finance nos bancos atuam em cooperação com as de renda fixa e ações.Pela definição, clássica, “project finance”, ou financiamento de projeto, é um tipo específico de operação estruturada, lastreada no fluxo de caixa de um projeto, onde os ativos e recebíveis desse mesmo projeto são sua garantia. Numa versão menos ortodoxa, a empresa responsável pelo projeto pode “patrocinar” o negócio. Nesse caso, o risco, para investidores e bancos, não é o projeto, mas sim a empresa emissora, sócia/proprietária do projeto.

O financiamento pode incluir recursos de bancos de investimento e de fomento, como o BNDES ou IFC (braço financeiro para países emergentes do Banco Mundial, emissão de ações ou de títulos de renda fixa, no Brasil e exterior, empréstimos sindicalizados, emissão de carta de crédito e/ou recursos de curto prazo (empréstimos-ponte).

Para o BNDES entrar no financiamento, é preciso que o project finance seja enquadrado na definição clássica. Maior fornecedor de recursos para esses projetos no Brasil (os bancos comerciais normalmente atuam como intermediários), exige que o cliente seja uma sociedade por ações com o propósito específico de implementar o projeto financiado, constituída para segregar os fluxos de caixa, patrimônio e riscos; os fluxos de caixa esperados do projeto devem ser suficientes para saldar os financiamentos; e as receitas futuras do projeto devem ser cedidas aos financiadores. O BNDES também exige que os acionistas coloquem do próprio bolso no mínimo 20% dos recursos.

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