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Setor vem sendo penalizado ao longo de 2012 por uma desaceleração generalizada de vendas, em meio a um cenário econômico mais pessimista

Reuters

Os resultados operacionais preliminares já apresentados por construtoras e incorporadoras para o terceiro trimestre traçaram um cenário ainda pouco favorável para o setor imobiliário, com vendas em queda, revisão de projeções e, em alguns casos, a opção por não divulgar os números.

O setor vem sendo penalizado ao longo de 2012 por uma desaceleração generalizada de vendas, em meio a um cenário econômico mais pessimista, cujas medidas de incentivo do governo começam a surtir efeitos apenas agora.

Somado a isso, os lançamentos foram reduzidos para que as empresas priorizassem a venda de estoques de imóveis e a geração de caixa.

"Acreditamos que ainda é cedo para ser otimista sobre o setor", afirmou a equipe do JPMorgan, em relatório recente. "O pior está perto do fim em termos de contração de lançamentos e vendas, pressão de margens e capitalização, mas ainda há pouca visibilidade sobre os lançamentos e margens no próximo ano."

Embora tenha apurado crescimento de 33,6% nas vendas e de 39,3% nos lançamentos do terceiro trimestre sobre o período anterior, a Cyrela Brazil Realty se viu obrigada a baixar as projeções para o fechado do ano.

A empresa reduziu a meta de vendas em 2012 para entre R$6 bilhões e R$7 bilhões, comparado à estimativa anterior de R$6,9 bilhões a R$8 bilhões, citando um processo de aprovação mais lento para lançamentos, sobretudo em São Paulo.

"Os lançamentos não se recuperaram do fraco segundo trimestre e não foram suficientes para compensar os fracos lançamentos no primeiro semestre", disse o analista Guilherme Rocha, do Credit Suisse, assinalando que haverá alta concentração de lançamentos no quarto trimestre e que alguns projetos não serão aprovados este ano.

A Brookfield Incorporações, que já havia reduzido as projeções para 2012 por atrasos em aprovações de projetos e baixo volume de lançamentos no primeiro semestre, viu as vendas contratadas caírem 46,1% e os lançamentos se contraírem em 32,7% no terceiro trimestre.

No acumulado do ano até setembro, a incorporadora cumpriu 69,2% do ponto médio da estimativa de vendas para 2012, de R$3 bilhões a R$3,5 bilhões.

Com uma perspectiva menos favorável para cumprir a previsão traçada, a MRV Engenharia tem o desafio de vender R$1,7 bilhão nos três últimos meses do ano.

A construtora e incorporadora mineira acumulou vendas de R$2,8 bilhões nos nove primeiros meses do ano, 3% menores e equivalentes a pouco mais da metade do ponto médio da projeção de entre R$4,5 bilhões e R$5,5 bilhões para 2012.

Se considerado apenas o terceiro trimestre, as vendas da MRV somaram R$1 bilhão, queda anual de 5%. Os lançamentos também caíram, tanto no trimestre quanto no ano, em 27% e 15%, respectivamente.

"A MRV apresentou números abaixo do esperado de lançamentos e de vendas", afirmou o analista David Lawant, do Itaú BBA. "Embora seja esperada uma retomada dos lançamentos no quarto trimestre... acreditamos que o cumprimento da meta de vendas pode ser desafiador agora."

Alvo de atenções do mercado para que comece a entregar uma recuperação mais sólida, a Gafisa apurou vendas contratadas 34% menores de julho a setembro ante o terceiro trimestre de 2011.

Os lançamentos, enquanto isso, caíram 57% no trimestre passado e recuaram 50% no ano até setembro, cumprindo 49% do ponto médio da estimativa para 2012, de R$2,7 bilhões a R$3,3 bilhões lançados.

A companhia, que vem sofrendo efeitos de uma reorganização para reverter problemas com a unidade voltada ao segmento econômico Tenda, citou a "implementação da estratégia de 'turnaround' anunciada no fim de 2011, com redução da atuação geográfica da marca Gafisa e interrupção de lançamentos da marca Tenda, com foco em execução e repasse".

A líder do setor PDG Realty optou por não divulgar dados preliminares de vendas e lançamentos do terceiro trimestre, que serão conhecidos apenas quando o balanço consolidado for apresentado.

A companhia passou recentemente por uma série de mudanças em sua diretoria, que incluiu a renúncia de executivos aos cargos de diretor financeiro e diretor de investimentos.

As mudanças também ocorreram após a conclusão, no fim de agosto, de uma capitalização de R$796 milhões.

A Rossi Residencial, por sua vez, afirmou por meio da assessoria de imprensa que ainda não definiu se os dados operacionais preliminares serão divulgados.

A construtora e incorporadora se encontra em meio a uma estratégia para reorganizar suas operações e há poucas semanas anunciou a revisão de práticas contábeis adotadas nos balanços desde janeiro de 2009 para "aprimoramento de demonstrações financeiras".

A Rossi concluiu nesta semana as negociações para aumento de capital de cerca de R$600 milhões.

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