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Fundo pretende ampliar a fatia de 5% de imóveis na carteira; já a Petros vai continuar privilegiando projetos de infraestrutura, títulos de crédito privado e fundos de participação, onde já tem US$ 4 bi

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB), irá ampliar sua participação em imóveis ainda este ano. A fundação, maior da América Latina, deve anunciar a aquisição de dois empreendimentos imobiliários nos moldes da Torre Matarazzo, adquirida da Camargo Correa Empreendimentos Imobiliários (CCDI) e Cyrela Commercial Properties (CCP) em junho deste ano, por R$ 199 milhões.

“Temos uma vantagem competitiva em relação aos demais: por sermos grandes, temos recursos para adquirir o empreendimento inteiro”, afirma Renê Sanda, diretor de investimentos da entidade. “Privilegiamos grandes operações, do segmento corporativo, com poucos locatários”, complementa.

A carteira de imóveis da Previ somava R$ 7,7 bilhões em agosto, montante que respondia por 5% do patrimônio líquido da fundação, de R$ 157 bilhões. “Esses empreendimentos devem adicionar 20% à carteira. Porém, os desembolsos só sairão no ano que vem”, diz.

Já a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, optou por privilegiar, neste ano, investimentos em infraestrutura, seja por meio da Invepar - empresa a qual é acionista -, títulos de crédito privado e fundos de investimento em participação (FIPs). “Optamos por focar nossos investimentos em um segmento, ao contrário do ano passado, quando concentramos nos esforços em uma modalidade, que foi a aquisição de participação acionária", afirma Carlos Fernando Costa, diretor de investimentos da Petros, citando Dasa, Totvs e Marcopolo.

A concessão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, vencida pelo consórcio Invepar-ACSA, deve apresentar retorno ao acionista de 15% ao ano, de acordo com o executivo. Em julho, a carteira de investimentos da Petros era de R$ 61,8 bilhões (51,4% estavam em renda fixa, 35,9% em renda variável, 5,7% em investimentos estruturados, 4,2% em imóveis e 2,8% em operações com participantes).

Quanto aos FIPs, a posição dos fundos de pensão é bem distinta. Enquanto a carteira da Petros tem 27 FIPs, com 130 empresas e investimentos de R$ 4 bilhões, a Previ tem pouco mais de R$ 1 bilhão. “Estamos presentes em todos os segmentos econômicos e, se aumentarmos a participação em algum deles, podemos criar concorrência de gestores pelos mesmos ativos”, diz Costa. Já Sanda lembra que a Previ optou por aplicar em FIPs setoriais e como o apetite da fundação pela modalidade ainda é comedido, a canibalização de gestores não ocorrerá.

Intervenção

Os dois maiores fundos de pensão brasileiros não têm participação direta nos bancos que sofreram intervenção pelo Banco central (BC) este ano — Morada, Cruzeiro do Sul e, mais recentemente, BVA.

O que a Petros tem é participação em FIDCs estruturados por eles, cujos lastros são contratos de crédito consignado e destinados às pequenas e médias empresas, bem como em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) emitidas pela V55 Empreendimentos, uma das empresas criadas pelos sócios no banco para injeção de recursos.

Já a Previ não tinha participação nos três bancos, direta ou indiretamente. “Nosso comitê de risco, cuja expertise vem do Banco do Brasil, não aprovaria”, destaca Sanda.

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