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Queda na demanda faz empresa congelar expansões, mesmo com exportações em alta

A Weg não deve atingir sua meta de investimentos para o ano. Segundo informações da companhia, em nove meses foram investidos R$ 164,6 milhões, sendo 92% destinados aos parques industriais no Brasil. A meta para o ano, no entanto, era chegar a R$ 300 milhões em investimentos. “Se as vendas no quarto trimestre continuarem nas mesmas condições do terceiro, devemos chegar a investimentos de até R$ 220 milhões no ano”, afirma Laurence Beltrão Gomes, diretor de finanças e relações com investidores da Weg.

De acordo com o executivo, frente ao difícil cenário econômico, a empresa optou por postergar alguns investimentos em ampliação e modernização de fábricas. “Decidimos destinar parte da produção para plantas que estavam com maior capacidade ociosa, como no México e na Índia”, explica o executivo.

Apesar da atitude conservadora, a empresa não tem motivos para reclamar de sua performance no terceiro trimestre. O lucro líquido foi de R$ 184,8 milhões no período, com margem de 11,5% e crescimento 32,1% em relação ao segundo trimestre de 2011. A receita operacional líquida chegou a R$ 1,6 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 22,4% sobre o mesmo período de 2011.

As exportações foram destaque, mesmo com a crise financeira internacional. “Sabíamos que o cenário era de baixa atividade econômica, mas conseguimos aumentar o nosso portfólio de produtos vendidos no exterior, o que representou um aumento de 40% nas vendas em relação ao terceiro trimestre do ano passado”, afirma Gomes.

As vendas externas representam 50% dos negócios da Weg. No mercado interno, a empresa teve um crescimento de 8,3% nas vendas (ver infográfico). A empresa também comemorou o resultado. “Conseguimos avançar mesmo com a produção industrial em queda no Brasil.”

No acumulado até agosto, a produção industrial teve queda de 3,4% em comparação com o ano anterior. No acumulado em 12 meses a queda é de 2,9%. E segundo dados do relatório focus do Banco Central, a previsão é que a indústria feche o ano com queda de 2% na produção. No mesmo período, a receita líquida da Weg cresceu 21%, para R$ 4,5 bilhões no acumulado de 2012.

Gomes aponta alguns fatores que contribuíram para alcançar estes resultados. A taxa de câmbio favorável, somada a redução de juros, a redução de juros, ajudou as empresas exportadoras. Além disso, a crise também é um fator para justificar as vendas no exterior. “Temos focado nossos investimentos em alta performance em eficiência energética, o que faz muita diferença para indústria da área química ou de alumínio, por exemplo, onde o custo de energia elétrica é relevante”, explica.

No caso do Brasil, as medidas de desoneração tributária do governo federal também ajudaram. “Além disso, o BNDES PSI (Programa de Sustentação do Investimento) está oferecendo taxa de 2,5% ao ano, uma valor muito competitivo, com juro real negativo”, afirma o executivo. No entanto, Gomes não vê sinais de recuperação em curto prazo. “Temos uma situação muito desafiadora, pois apesar dos estímulos do governo, a competição está muito acirrada no mercado externo. E a demanda, cada vez mais apertada.” 

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