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Após aprovação para a segunda fase, Sinergy fará análise mais detalhada da situação da aérea portuguesa

A venda da companhia aérea estatal portuguesa Tap para o grupo Sinergy, comandado pelos irmãos German e José Efromovich, parece questão de tempo, já que a holding dos brasileiros foi a única empresa a passar à segunda fase do processo de privatização da Tap. Mesmo assim, os executivos do grupo preferem manter cautela. “É agora que começa o trabalho da aquisição”, afirma Tarcisio Gargioni, vice-presidente da Avianca, companhia aérea do grupo. “Tem chance de o negócio ser fechado, mas ainda não há nada definido.”

Com a qualificação para a segunda fase, o grupo Sinergy fará uma análise mais profunda da situação da Tap, para apresentar uma proposta financeira, que ainda pode ser recusada pelos portugueses. “É agora que será feita toda a análise de passivos da Tap, inclusive alguns passivos que são intangíveis, o que torna todo esse trabalho ainda mais delicado”, diz Gargioni.

A aquisição da Tap seria um importante reforço para o negócio de companhias aéreas do grupo Sinergy. “Se somarmos as operações da Avianca no Brasil e na Colômbia, somos uma empresa praticamente do mesmo porte da Gol, o que nos coloca entre os três grandes grupos deste setor no continente”, afirma Gargioni. Além de Avianca e Gol, a outra gigante aérea da América do Sul é a chilena Lan, que recentemente se fundiu com a brasileira Tam, consolidando a liderança na região.

Infraestrutura

Hoje, a Avianca detem uma participação de 5% no mercado aéreo brasileiro, o dobro do que registrava em 2009. “Ainda somos pequenos por aqui”, afirma Gargioni. Segundo ele, um dos principais fatores que limitam o crescimento de companhias do porte da Avianca é a falta de infraestrutura aeroportuária. “O Brasil sofre com a falta de slot”, afirma. Slots são as faixas de horários a que cada companhia tem direito de operar nos aeroportos. “Há 12 anos, quando a Gol entrou no mercado, eram feitas 25 milhões de viagens anuais no Brasil. Hoje são 90 milhões. Nesse período, muito pouco foi feito em termos de infraestrutura aeroportuária”, diz o executivo. “Acreditamos em uma melhora na infraestrutura a partir do ano que vem, já que o aeroporto mais importante do país, o de Guarulhos, já será administrado pela iniciativa privada.”

Devido ao tamanho da deficiência estrutural, Gargioni não vê como um grande problema a construção dos chamados “puxadinhos”, obras provisórias que foram realizadas recentemente em alguns aeroportos brasileiros para aumentar a capacidade. “O Brasil precisa de volume de negócios e de aeroportos funcionais. E os ‘puxadinhos’ são muito funcionais. Ganhar prêmio de arquitetura por obra em aeroporto não deve ser o foco neste momento.”

Apesar de falar sobre um quadro em que apenas um dos grandes aeroportos brasileiros, o do Galeão, no Rio de Janeiro, não teria defasagem de estrutura, o executivo não acredita que a Copa do Mundo resultará em grandes problemas para o setor. “No Brasil, dois terços das viagens são feitas a negócio. Como vão decretar feriado nos dias úteis em que houver jogos do Brasil, o movimento será equilibrado”, afirma.

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