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Animadas com novo regime fiscal do setor, empresas aceleram planos de expansão em busca da liderança

As montadoras japonesas estão mais agressivas no mercado brasileiro. Para atender à nova legislação e à demanda crescente do país, a Honda Motors vai investir R$ 100 milhões em seu centro de desenvolvimento em Sumaré, no interior de São Paulo. Já a Toyota Motors vai ampliar a capacidade de produção da recém-inaugurada fábrica de Sorocaba.

O presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, disse que a companhia espera vender 1 milhão de carros em cinco anos — marca que só foi alcançada pela montadora após 15 anos de produção no país. “Somos a marca mais popular em motocicletas e queremos ser assim também em automóveis. Para isso, vamos reforçar nosso portfólio, a rede de concessionárias e o desenvolvimento de produtos”, disse o executivo, que visitou o 27º Salão do Automóvel de São Paulo.

Hoje, a Honda produz no Brasil o sedã Civic e o compacto Fit e importa do México o SUV (utilitário esportivo) CRV, e da Argentina o sedã City. Neste ano, a marca deve comercializar 136 mil carros no Brasil, um volume bem superior aos 92 mil vendidos em 2011. “Estamos trabalhando forte para aumentar a produção. Em 1997, fabricávamos 20 automóveis por dia, hoje chegamos à marca de 620 unidades diárias em dois turnos de produção”, disse o diretor de vendas da Honda no país, Sérgio Bessa.

Segundo o presidente mundial, Ito, o centro de desenvolvimento terá ainda a função de aumentar o conteúdo local dos automóveis da marca no país. Hoje, os carros da marca possuem cerca de 70% de peças fabricadas aqui e na Argentina. “Vamos desenvolver um SUV compacto para competir num dos segmentos que mais crescem no país”, adiantou Ito.

O executivo também anunciou a entrada da Honda no segmento de luxo com a marca Acura. A montadora vai vender os carros luxuosos a partir de 2015. “É uma marca que remete à sofisticação, emoção e tecnologia. Tenho certeza de que vai fazer sucesso também aqui no Brasil”, ressaltou. E para suportar o crescimento esperado nas vendas, a Honda vai aumentar a sua rede de concessionárias até 2015. O executivo não informou qual será o número de revendas no mercado. Hoje, a companhia tem 196 lojas espalhadas pelo território brasileiro.

A conterrânea Toyota também está de olho no potencial do mercado brasileiro. A montadora vai aumentar a capacidade da sua fábrica de Sorocaba no final do ano que vem. Hoje, a unidade pode produzir 70 mil carros por ano em dois turnos de produção. A partir de 2014, a fábrica terá condições de montar 100 mil automóveis por ano.

O presidente da Toyota Mercosul, Shunichi Nakanishi, disse que a ampliação se faz necessária diante da procura pelos carros da família Ethios, que é montado em Sorocaba. “Toda nossa produção deste ano já está comprometida. Por isso, discutimos com o conselho a possibilidade de se ampliar a unidade. E o sinal verde foi dado”, disse o executivo.

A fábrica da Toyota foi inaugurada em agosto e pode passar por modificações e chegar a 400 mil carros por ano - as licenças ambientais concedidas pelos órgãos competentes prevêem este volume. A montadora produz o seu carro popular, o Ethios, que tem preços a partir de R$ 29,9 mil . “Esse ano vamos montar 8 mil carros lá em Sorocaba e já esta tudo vendido. Ano que vem chegaremos perto da capacidade de 70 mil”, disse Nakanishi.

Outra que não quer perder a briga pela liderança de mercado é a Volkswagen. A montadora deve produzir no Brasil o SUV compacto derivado da plataforma do compacto UP! que será lançado no país. O Taigun está exposto no estande da marca no Salão do Automóvel como carro conceito, mas o presidente da companhia para o Brasil, Thomas Schmall, disse que a empresa fará uma avaliação nos próximos dias sobre a aceitabilidade do modelo no mercado.

“É um segmento forte no Brasil. Seria uma complementação de nossa linha. O carro foi desenvolvido em conjunto com a engenharia brasileira e poderá ser comercializado em países europeus e asiáticos”, disse.

Schmall afirmou ainda que espera que as vendas da marca alcancem cerca de 800 mil carros em 2012, 100 mil unidades a mais que o comercializado no ano passado.

A Nissan também deve trazer a produção de um SUV para o Brasil. A marca colocou em exposição o Extream, derivado da plataforma do March — que hoje é montado no México e a partir de 2014 será produzido na fábrica de Resende, no Rio.

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