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Companhia colocou R$ 1,2 bi na Bahia e está aplicando R$ 3 bilhões na construção de outros 15 parques eólicos na região

Desde julho, os bons ventos que sopram nos municípios de Caetité, Guanambi e Igaporã, semiarido da Bahia, têm uma nova utilidade: gerar energia. Isso porque ali foi inaugurado o Complexo Eólico Alto Sertão I, um projeto da Renova Energia, cujo aporte foi de R$ 1,2 bilhão.

O projeto nasceu em 2009, depois que a companhia venceu o Leilão de Energia de Reserva, promovido pelo Governo Federal. Com capacidade para gerar 294,4 Megawatts, os 14 parques eólicos são a primeira fase de um projeto que deve crescer muito mais e chegar a 1,1 Gigawatts em 2016 e 3 Gigas em 2020, no que já é o maior complexo na América Latina. “A energia eólica é quem tem condições de complementar o que é gerado pelas hidrelétricas, especialmente na estiagem”, diz Mathias Becker, diretor-presidente da companhia.

Novos investimentos

A segunda fase do projeto se inicia com a construção de outros seis parques eólicos na mesma região, com capacidade para gerar 153 Megawatts de energia. Com previsão de conclusão para setembro de 2013, esta etapa receberá investimentos de R$ 1,4 bilhão. Em março de 2014, será entregue a terceira fase, com outros nove parques eólicos e capacidade para geração de 212,8 Megawatts. A construção dos novos parques é feita de acordo com a quantidade de energia contratada nos leilões públicos.

Em 2011, um consórcio entre as distribuidoras Light e Cemig contratou outros 400 Megawatts de energia em um novo projeto da Renova. “Elas entraram como parte da empresa, com o compromisso de adquirir esse volume”, explica Becker.

No ano passado, a companhia faturou R$ 37,9 milhões. No primeiro semestre desse ano, foram R$ 20,4 milhões. “Queremos crescer 400 Megawatts por ano”, revela.

Enquanto a construção dos novos parques segue a todo vapor na Bahia, a Renova já estuda a viabilidade de implantação de novos projetos em outras regiões do país, não só para energia eólica, mas também para hidrelétricas. “Já temos três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) na Bahia e queremos investir em projetos maiores nesse segmento também”, explica Becker.

O executivo explica que atualmente, a energia eólica responde por cerca de 1,3% da matriz energética brasileira, mas que com o crescimento da demanda, esse percentual deverá chegar a 7%. Segundo Becker, até 2020, o Brasil precisará de aproximadamente 18 Gigawatts de energia além de todo o volume que já foi contratado nos leilões e também das obras em andamento. “E quem vai atender a maior parte dessa demanda será a energia eólica”, afirma.

Sustentabilidade

Ao contrário da maioria das empresas geradoras de energia eólica, a Renova optou por se instalar no interior do Nordeste e não na região litorânea. Segundo Becker, as cidades escolhidas têm o relevo e a frequência de ventos considerados de excelente qualidade. “Quanto menor a instabilidade dos ventos, quanto menos rajadas, melhor o aproveitamento para a geração de energia”, explica.

As torres de captação e geração de energia são instaladas em pequenas propriedades rurais, que são arrendadas pelo prazo de 35 anos. Os produtores rurais, em sua maioria pequenos agricultores, recebem uma quantia anual como pagamento pelo uso da terra, que é de cerca de R$ 5.500. “Com isso, além de gerarmos energia para o país, ainda contribuímos para fixar essas famílias no campo”, diz Becker.

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