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Ações caíram ontem com boato de entrada da gigante on-line; se confirmada, ações devem devolver toda alta de 16,56% no ano

Bastou o rumor de que a concorrência no varejo on-line iria aumentar — com a entrada da gigante americana Amazon no mercado brasileiro pela compra da Saraiva — para as ações da B2W fecharem com queda de 8,54% ontem, a R$ 10,49 na bolsa de valores, revertendo a tendência de alta no ano, acumulada em 16,56%.

“A entrada da Amazon é um fator negativo para a B2W porque é mais um player na concorrência e ainda global”, afirma o analista da Socopa, Marcelo Varejão. “O papel da empresa brasileira vai sofrer, porque imagina o que seria para a B2W o maior varejista on-line no mundo entrar no Brasil com a plataforma e o conhecimento imensos que possui”, diz uma analista que preferiu não ser identificada.

Dados do segundo trimestre do ano mostram que a empresa americana atingiu US$ 12,8 bilhões em vendas no mundo, com alta de 29% frente ao mesmo período do ano anterior. Também no segundo trimestre, a B2W teve vendas brutas com produtos e serviços de R$ 1,1 bilhão, alta de 2,7% frente ao segundo trimestre de 2011.

A B2W foi formada em 2006 a partir da fusão da Americanas.com e do Submarino, sendo que o maior acionista é a Lojas Americanas, que hoje possui 58,87% dos papéis da varejista on-line. Na época de sua formação, a companhia era líder com 53,7% de participação de mercado, percentual que chegou a 57% em 2008, quando ela começou a presenciar a entrada de novos competidores e a enfrentar problemas de logística.

A situação chegou ao extremo no Natal de 2010, quando a empresa foi impedida de fazer novas vendas pelo atraso em entregas aos clientes e, naquele ano, a fatia da B2W no mercado era de 31,4%, sendo que no primeiro semestre deste ano chegou a 22%. Durante esses anos, as ações da companhia caíram fortemente, atingindo uma desvalorização de 71,07% no acumulado do ano passado.

O ano de 2012, no entanto, estava sendo de recuperação, mas os analistas acreditam que muito mais relacionada a especulações do que a fundamentos. “A B2W está péssima fundamentalmente, então o investidor está agindo de forma mais especulativa”, destaca a analista que não quis ser identificada.

Entre os boatos deste ano, estavam o de fechamento de capital por parte da controladora Lojas Americanas, que fez aumento de capital da B2W em R$ 1 bilhão e março e que adquiriu em setembro 234 mil papéis ordinários, aumentando em 0,15% seu capital votante. “Isso justifica boa parte das altas”, destaca Varejão.

Além disso, o analista indica que a alta na bolsa também se deu pela expectativa de melhora operacional para a empresa nos próximos trimestres, quando ficarão prontos novos centros de distribuição. “O resultado vai melhorar um pouco por causa dos novos centros, mas isso não justifica valorização acentuada na bolsa”, diz. A B2W vai investir mais de R$ 1 bilhão nos próximos 3 anos e deve abrir até o final do ano quatro centros de distribuição. A empresa planeja, ainda, abrir mais dez centros em três anos.

Os analistas acreditam que a B2W seja uma empresa competitiva em preços e serviços oferecidos aos clientes, mas que ela peca na questão do prazo de entrega, uma vez que a companhia não quer ser agressiva até que as plataformas de logística estejam preparadas, para não enfrentar os mesmos problemas com os quais se deparou em anos anteriores.