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Entidade destaca que faltam incentivos tanto para empresários quanto para investidores

Agência Estado

Apesar do esforço para transpor os obstáculos que prejudicam a competitividade das pequenas e médias empresas no País, não será fácil transformar o cenário que dificulta o acesso delas ao mercado de capitais. É o que afirma o presidente do Conselho da Pequena Empresa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Paulo Roberto Feldmann.

"Não vai ser fácil conseguir medidas de incentivo para a pequena empresa no Brasil", alertou nesta quinta-feira, em na capital paulista. De acordo com Feldmann, as pequenas e médias brasileiras precisam buscar alternativas para sobreviver no mercado por causa das rápidas transformações da economia, porém, destaca que faltam incentivos tanto para empresários quanto para investidores.

Segundo ele, várias empresas - como as que fabricam móveis e roupas e até restaurantes - poderiam e deveriam ingressar no mercado de capitais, mas se sentem intimidadas por uma série de requisitos legais e fatores como o alto custo para abrir capital e adotar novos modelos de governança, além da questão cultural do empresário brasileiro, "que é muito ávido pelo controle da empresa". Feldmann lembrou que, nos Estados Unidos, o pequeno empresário abre a empresa e, meses depois, começa a pensar em abrir capital: "Agora, nosso objetivo é que no Brasil seja tão fácil quanto nos EUA para as pequenas e médias empresas fazerem IPO e buscarem novos recursos, visto que elas são um dos pilares de sustentação da economia nacional".

Neste sentido, o papel da FecomercioSP, segundo o executivo, seria simplificar o processo para as empresas, fazendo parcerias com institutos como o Sebrae, por exemplo. "Uma boa opção para estimular o acesso ao mercado de capitais também é o financiamento. Se houver uma linha de crédito subsidiado, o pequeno empresário se sentirá muito mais confiante para arcar com os custos. Para isso, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco do Brasil (BB) poderiam colaborar", disse. Além disso, para ele, bolsas de valores voltadas para empresas de menor porte também deveriam ser criadas no Brasil, "pois algumas companhias podem desaparecer ao entrar na BM&FBovespa", devido ao tamanho das que já estão listadas.

Já para o investidor, um incentivo interessante seria abater o Imposto de Renda em dobro, segundo Feldmann. "Não há políticas públicas que favoreçam as empresas de porte menor", salientou. Segundo ele, isso acontece porque quem contribui com o governo são as grandes companhias, e, por isso, deveria haver também mudanças na Lei Eleitoral. "Na Alemanha, só Pessoa Física pode contribuir com campanha política, e lá, 60% do PIB é de pequenas empresas. Aqui no Brasil, a participação é de 20%. O governo não apoia este segmento porque não é do seu interesse", comentou.

Uma outra alternativa para beneficiar este segmento, segundo o executivo, é a união por um objetivo comum. "A pequena empresa sozinha não consegue nada, tem de se unir. Mas o brasileiro não vê o concorrente como um parceiro, só quer aniquilá-lo", afirmou, lembrando que, na Itália, 44% dos produtos exportados são produzidos por pequenas empresas e, no Brasil, apenas 1,7%. "Mas lá, eles criam consórcios e se unem para ter massa crítica e fazer o que precisam, até somar capital para investir em tecnologia".