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Adquirir a editora de livros é saída para a maior varejista virtual do planeta conseguir concretizar seu plano de operar no mercado brasileiro

A Amazon, maior varejista online do mundo, está negociando a compra da editora Saraiva, segundo informações da agência de notícias Bloomberg. A companhia pretende iniciar sua operação no Brasil em 2013 e procura empresa com boa infraestrutura tecnológica para crescer no Brasil, disse um executivo ligado às negociações.

Drew Herdener, porta-voz da Amazon, não quis comentar assunto. E o diretor financeiro da Saraiva, João Luis Ramos Hopp, disse que a empresa “não comenta boatos e especulações de mercado”. Adquirir uma editora faz todo sentido para a Amazon. Desde 2010, a varejista negocia com estas empresas a compra de e-books, mas tem enfrentado dificuldade para fechar contratos.

As editoras alegam que a Amazon é muito agressiva nas negociações, pois quer ter o controle sobre preço de capa do livro (modelo conhecido pelo nome de distribuição). Os editores preferem o sistema chamado de agência, no qual eles determinam o preço final de venda do livro, o qual será igual em todas as varejistas, e recebem uma comissão em cima deste valor, (geralmente de 30%).

Com a liberdade de determinar o preço final dos livros, a Amazon poderia provocar uma concorrência predatória com as varejistas brasileiras. Com as livrarias enfraquecidas, as editoras ficariam nas mãos de apenas um único cliente. E é justamente isto que elas estão tentando evitar. A situação não faz parte apenas do delírio das editoras. Nos Estados Unidos, quando iniciou sua operação no comércio eletrônico, a Amazon comprava um livro por US$ 12,90 e o vendia por US$ 9,90. A ideia era ter prejuízo para ganhar mercado. Depois que conseguiu ganhar participação de mercado, a varejista forçou as editoras a venderem seus livros por US$ 7,90. A esta altura, a Amazon já tinha se transformado em um cliente importante e as editoras foram obrigadas a aceitar as condições impostas.

Plano B

Há quem já esteja se antecipando ao desembarque da Amazon no Brasil. Em setembro deste ano, a livraria Cultura fechou uma parceria com a Kobo, empresa canadense de leitores de e-books. A varejista vai comercializar os aparelhos e um catálogo com 3 milhões de livros. A A meta da Amazon era iniciar sua operação do Brasil em setembro deste ano. Mas a falta de um acordo com as editoras levaram a varejista a adiar sua estreia para o ano que vem. Enquanto isto, a companhia busca um centro de distribuição em São Paulo. Seus executivos já visitaram diversos locais do interior do estado e da capital, mas ainda não decidiram qual será o endereço onde ficarão armazenado os produtos da companhia.Com Bloomberg.

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