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Última aquisição do megainvestidor, dono de uma fortuna de US$ 4,7 bi, foi a compra do grupo Thá, do Paraná

“Os próximos dois anos no Brasil serão difíceis e desafiadores.” É assim que pensa o sorridente Sam Zell, megainvestidor americano que por aqui já teve participações em empresas como Gafisa e BR Malls. Este ano ele comprou o grupo imobiliário paranaense Thá e acredita que, passada a fase difícil, o Brasil terá chances de despontar como uma potência mundial. “Um dos maiores bens deste país é a baixa dívida per capita. Existe risco político, mas a presidente Dilma Rousseff está indo bem até agora. Em dez anos o Brasil será uma das potências dominantes do mundo”, afirma.

Dono de uma fortuna de US$ 4,7 bilhões e proprietário de mais de 200 mil imóveis residenciais somente nos Estados Unidos, Zell só poderia ser muito bom de faro. Em 2010, o mercado brasileiro teve uma prova disso. Naquele ano, o empresário se desfez de suas ações da Gafisa e algum tempo depois o valor de mercado da companhia despencou 80%. Agora, ele dá pistas de onde encontrar bons negócios: seus próximos investimentos devem estar fora do eixo Rio/São Paulo. “O custo destas cidades é muito alto. No Brasil está tudo muito concentrado nestas regiões. Não me lembro de outro país de grandes dimensões com apenas duas cidades dominantes. Vejo oportunidades no Norte do país”, diz.

Para o empresário, o Brasil não corre o risco de enfrentar uma bolha imobiliária. “É difícil ter bolha sem um financiamento descontrolado. Bolha tem a ver com falta de realidade. As taxas de juros aqui são seis ou sete pontos percentuais acima dos Estados Unidos”, diz. Sobre a inflação, Zell acredita que a situação esteja sob controle. “Olhando a história do Brasil não dá para não se preocupar com o tema, mas aparentemente a inflação está estável. Pensando em longo prazo estou otimista”, afirma.

Outros mercados

Na América Latina o empresário também tem interesse no México, Colômbia, Peru e Chile. Ele afirma que o importante em um mercado emergente é haver estratégia de saída para os investidores. “Nós não investimos em locais onde seja difícil sair. No momento, nosso maior foco na América Latina é o México”, diz. Lá, o empresário já teve investimentos nos segmentos imobiliário e de shopping center, mas se desfez de tudo há alguns anos e agora está novamente procurando oportunidades. Zell é bem assim. Não pensa duas vezes em retornar a um mercado ou empresa que ele já tenha abandonado. Como bom investidor, ele só precisa voltar a acreditar em boas oportunidades. Foi assim com a Gafisa. Este ano, junto com o GP Investimentos Zell fez uma proposta para ter de volta o controle da incorporadora, a qual foi recusada.

E enquanto só se fala em China, o empresário não demonstra muito entusiasmo pelo país. “Lá não há escassez de capital. Tem dinheiro local demais no país. Para nosso tipo de investimento não é o lugar certo.” Nos últimos tempos o empresário também se decepcionou com a Índia. Ele afirma que chegou a analisar parcerias com 40 investidores diferentes no país, mas acabou desistindo por medo de se envolver com empresas corruptas. Na Rússia, o problema é a falta do estado de direito. “A Rússia é totalmente imprevisível”, afirma.

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