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Melhoria de margens e câmbio favorável à exportação garantem boa performance do frigorífico de Batista

No feriado de 12 de outubro o empresário Wesley Batista, presidente da JBS, aceitou um convite de João Doria Jr e embarcou para o balneário de Punta Mita, no México, para passar alguns dias debatendo e confraternizando com empresários e autoridades daquele país no 17º Meeting Internacional. Apesar de não ser um frequentador assíduo desse tipo de evento, ele fez questão de visitar o país que está na rota e mira dos negócios da família e concedeu a seguinte entrevista ao BRASIL ECONÔMICO.

Como avalia o ano de 2012 para a JBS?

Será um bom ano. Apesar do fraco desempenho da economia brasileira no primeiro semestre, nosso setor teve uma melhoria de margens. O câmbio é mais favorável para as exportações brasileiras. Teremos um ano de boa performance.

Qual foi o impacto da quebra de safra nos estados e do aumento de preço dos grãos?

De fato, os grãos subiram muito, mas as nossas previsões quando isso começou a ter impacto eram que as nossas margens estariam mais comprimidas. Por incrível que pareça a indústria está conseguindo repassar preço mais do que a gente imaginava.

Quanto vocês reajustaram este ano?

O suficiente para compensar um pouco a alta dos grãos.

Tem alguma ideia de quanto crescerão este ano em receita?

Vamos crescer algo em torno de 20% na receita em relação ao ano passado.

E o lucro?

Vai ser um bom ano. Não sei precisar em percentual, mas será mais que 20% no ponto de vista da melhoria da rentabilidade.

Qual a expectativa para o ano que vem?

A gente continua trabalhando para manter esse ritmo de crescimento, mas na JBS nosso foco será expandir margem, gerar caixa, consolidar nosso negócio e ter melhores resultados.

As aquisições pararam ou pode haver alguma outra este ano ou no começo de 2013?

Esse ano não. O mercado provavelmente não vai assistir a JBS fazendo alguma grande aquisição, como fizemos nos últimos anos. Mas pode ser que apareça alguma coisa pequena. É difícil dizer que não vai ter nada. Mas não estamos olhando nada por hora. Não provavelmente não haverá nada significativo.

E a Doux Frangosul...

Nós arrendamos ali e temos a opção de comprar.

Vocês ainda são pequenos no setor de aves...

No Brasil somos. Mas é um segmento que temos o interesse de crescer na hora certa e com os ativos certos.

Por que vocês não foram para a briga com os ativos da BRFoods?

Queremos crescer no setor, mas não encaixava bem com o nosso negócio no Brasil. Não quero desfazer dos ativos, mas não era, na nossa opinião, ativos que nos atraíram.

Se vocês arrendaram a Frangosul é porque tem interesse em aves no Brasil. Como será a disputa com a BRF?

Disputar com empresa que trabalha sério não é ruim. A BRFoods trabalha formal e sério para rentabilizar seus acionistas. O duro é competir com quem não trabalha na mesma base que você. Tem espaço no mercado para sermos competidores.

No caso do grupo, haverá alguma diversificação depois da tentativa da Delta?

A holding tem olhado outros negócios, entre o ele o grupo Rede, do setor de energia, o que não é segredo. Temos olhado oportunidades.

Já definiram os investimentos para o ano que vem?

Ainda não. Entre outubro e novembro fecharemos os orçamentos do ano que vem.

O Sr. continua no comando da JBS ou haverá uma troca?

Ainda não haverá troca. Por enquanto continuamos do jeito que está.

E seu irmão,o José Batista Jr. (candidato em 2006 e 2010), será governador de Goiás?

Rapaz... nem sei lhe falar. 2014 está longe. Ele gosta e tem pretensões políticas. Vamos ver...

Existem muitas barreiras para se operar no México?

O México tem uma relação muito próxima com os Estados Unidos. Então as exportações nossas são dos Estados Unidos para o México. Do ponto de vista da operação, o país é muito receptivo a investimentos externos e tem um custo baixo para operar. Toda carga tributaria do México representa 10% do PIB. É um país friendly. Temos a segunda maior empresa de frango do país. É o principal mercado nosso do ponto de vista de exportação de carne do Estados Unidos. Tanto que vendemos muita carne no México através da nossa operação americana, como operamos no negócio de frango.

Mas a exportação do Brasil para o México deixa a desejar...

O Brasil poderia estar exportando bovinos e aves. Quanto mais o mercado e está aberto, mais fácil fica movimentar produto de um país para o outro.

Qual é o principal entrave na relação do Brasil com o México no setor de carnes?

A questão sanitária. O México usa os mesmos critérios da Nafta (EUA, México e Canadá). Eles não importam carnes do Brasil por medo da aftosa. Tem muita coisa que pode ser ampliada nas relações bilaterais.

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