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Fiat, que se segura, será a próxima que terá de arcar com a cobrança de IPI para importados

O acordo entre o Brasil e o México, que visa frear as importações de veículos daquele país, está se tornando uma pedra no caminho das montadoras. Em apenas seis meses, três empresas extrapolaram as cotas de importação: a Honda, o grupo Renault/Nissan e a Ford. A Fiat, que ocupa a posição de maior vendedora de automóveis no mercado brasileiro, será a próxima a ultrapassar sua cota. No último mês, se segurou como pode.

Agora, os carros dessas montadoras sofrerão com o ágio de 30 pontos percentuais de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), tal qual veículos importados de países que não possuem acordos comerciais com o Mercosul.

Embora os carros mexicanos, em sua maioria, sejam automóveis de maior porte, a Nissan sofreu mais com a imposição de cotas. Ela recebeu a maior parcela, 16,5% do total, porém é a única que importa veículos populares. De lá, traz o March e o Versa. Para diminuir o prejuízo que terá, a empresa vai reduzir a importação do Tiida, do Tiida Sedã — que deixará de ser produzido — e do Sentra.

Concessionárias já foram notificadas de que não devem fazer novos pedidos destes modelos.

A Ford, que importa o Fusion e os New Fiestas, a Honda, que traz o CR-V, e a Fiat, com o Freemont e o 500, não devem sofrer consequências tão graves como sua rival, sugerem especialistas. O entendimento é que, por serem carros mais caros, o aumento do imposto não afetará tão significativamente o preço final do veículo.

Com as cotas extrapoladas, despencou o ritmo de importações de automóveis mexicanos. Entre setembro e agosto, os desembarques caíram 60%.

O movimento influenciou a balança do setor em geral, que registrou queda de 20% das importações. Entraram no país 37,4 mil unidades em setembro. Este é o menor volume desde fevereiro de 2010, quando foram trazidos 33,5 mil veículos.

O acordo previa um valor total de US$ 1,45 bilhão de importações com o IPI mais baixo entre abril deste ano e março de 2013. Até o último mês, cerca de US$ 1,2 bilhão em automóveis já haviam desembarcado no país.

As montadoras responsáveis pelo freio nas importações foram a Nissan, que reduziu em 74% suas compras em setembro ante agosto; a Fiat e a Gerenal Motors, ambas com 90% a menos; e a Volkswagen, com 82% a menos. A Ford, que já superou seu limite, continua a importar em média semelhante a meses anteriores.

Inovar-Auto

Segundo regras do novo regime automotivo brasileiro, o Inovar-Auto, empresas que possuem projetos em andamento para fabricar seus veículos no país poderão obter créditos de IPI. Nesta situação se encontra a Nissan, que a partir de 2014 passa a produzir o March em Resende, no Rio de Janeiro.

Metade dos 30 pontos percentuais de IPI adicional poderão ser abatidos de impostos depois de iniciada a produção. Até lá, os carros mais vendidos na montadora no país sofrerão com o aumento de R$ 3 mil a R$ 4 mil nas lojas.

Segundo Francisco Satkunas, especialista do setor, diz que as montadoras que estouraram as cotas estão em risco. O desabastecimento que Nissan promete, e que deve ser seguido por Fiat e Ford, principalmente, pode tirar participação de mercado destas companhias.

“Não se pode vender carros por apenas seis meses. A companhia perderá sua credibilidade e seu produto se desvalorizará”, afirma Satkunas. “Ou eles passam a bater na porta do governo, pedindo antecipação da cota dos próximos anos, ou aceleram a instalação de plantas no Brasil”, conclui.

Tereza Fernandes, economista da MB Associados, entende que o brasileiro terá de pagar mais caro por carros maiores. Segundo ela, não há condição de produzir veículos de luxo no país. “Não é o perfil do brasileiro. Não há escala para justificar a produção local”, avalia.

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