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Vendas de polivitamínicos crescem quase 50% desde 2009 e mercado começa a amadurecer

Quem já frequentou uma farmácia americana talvez tenha reparado na imensa variedade de produtos do tipo polivitamínicos presentes nas prateleiras. A diferença é gritante na comparação com o mercado brasileiro, onde cada marca dificilmente possui mais de um produto dessa linha. O motivo é mercadológico: enquanto nos países desenvolvidos mais de metade da população consome multivitamínicos, no Brasil este número gira entre 10% e 15%.

Os primeiros passos para mudar esta realidade já estão sendo dados. O crescimento do mercado tem estimulado os laboratórios a realizarem investimentos em suas linhas de multivitamínicos. “Não faz muito tempo, esse tipo de produto não chegava a 5% dos brasileiros”, afirma Rodolfo Hrosz, gerente geral da Pfizer Consumer Healthcare, divisão do laboratório americano responsável pelos produtos isentos de prescrição (OTC), entre eles o polivitamínico Centrum.

Em 2011, o valor gasto com polivitamínicos pelos brasileiros foi R$ 667,7 milhões, 47% mais do que em 2009. Segundo Hrosz, ente os fatores que contribuiram para o crescimento do setor, está o aumento da renda da população e uma maior consciência de que a prevenção de doenção é importante.

“É a partir dos 15% atuais de penetração que o mercado começa a suportar uma variedade maior de linhas”, diz Hrosz. Por conta disso, novos tipos de produtos tem estado no foco da Pfizer. Até o ano passado, a companhia trabalhava com uma única versão do Centrum no Brasil. Agora já são três produtos, sendo que o último deles, com componentes que ajudam a combater o colesterol, foi lançado há uma semana (ler texto abaixo). “Já planejamos o lançamento de outros produtos no Brasil, mas por enquanto ainda estamos no processo de pesquisa, para ver o tamanho da aceitação às possíveis novidades.” Nos Estados Unidos, a Pfizer comercializa 14 produtos com a marca Centrum.

Outra empresa que investiu na ampliação da linha para se aproveitar do bom momento do setor no Brasil foi a EMS. “O mercado aquecido favorece o surgimento de novas demandas dos consumidores”, afirma Fernando Dias, diretor da divisão EMS Marcas, responsável pelos multivitamínicos Gerovital. O produto ganhou, em agosto deste ano, uma nova versão, a Phytus, também voltada para o combate do colesterol. “O Gerovital Phytus foi o primeiro passo para a ampliação dessa marca. Para 2013, a EMS estuda o lançamento de novos produtos da linha”, diz o executivo.

A marca Gerovital movimentou, em 2011, R$ 142 milhões, segundo a EMS. Este ano, a empresa espera que as vendas do produto cresçam 40%.

Divulgação

Além dos investimentos em novas versões, as fabricantes de polivitamínicos também investem em estratégias de marketing. É o caso do laboratório Boehringer, dono da marca Pharmaton. Desde 2011, a empresa trabalha a campanha “Desafio Pharmaton”, uma ação para estimular os consumidores a praticarem esportes e, em particular, a corrida. “O brasileiro tem consciência do que precisa ser feito para a saúde, mas dificilmente toma alguma atitude efetiva nesse sentido”, afirma Leonardo Velloza, gerente do produto.

Segundo ele, a performance do produto este ano tem sido superior à esperada pela companhia. “A entrada de novos players no mercado e as diversificações de linhas são sinais desse aceleramento”, diz. “Mas para que a categoria cresça não basta que surjam novos produtos. É preciso trabalhar a conscientização do consumidor sobre a importância dos p olivitamínicos.”

A empresa também tem buscado o desenvolvimento de novos produtos para a linha Pharmaton. As primeiras novidades devem chegar ao mercado no final de 2013. A Boehringer investe, anualmente, 23,5% de seu faturamento na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

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