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Ministério do Desenvolvimento promove viagem de negócios com participação de empresas nacionais, visando aumentar exportações nos mercados em que o Brasil não tem tradição comercial

Para impulsionar as exportações de manufatura, o governo brasileiro enviará uma missão empresarial no final deste mês para a Turquia. Entre os setores prioritários que usufruirão da viagem estão os de equipamentos hospitalares e alimentação.

Organizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a missão tentará atrair clientes também na Rússia, Ucrânia, Hungria, Cazaquistão e Azerbaijão.

De acordo com a secretária de comércio exterior do Ministério, Tatiana Prazeres, o foco do governo é trabalhar mercados em que não há tradição de comércio com o Brasil. “Neste momento de baixa demanda na Europa e na América do Sul, é uma alternativa”, diz.

Ela explica que mais de 60 reuniões serão realizadas entre os dias 30 e 31 deste mês para promover os produtos nacionais. “É um esforço que estamos fazendo para mostrar os produtos brasileiros”, comenta.

Os seis países que estão na pauta da missão têm pouca representatividade nas exportações de manufatura. Neste ano, os embarques somam US$ 740 milhões — o que representa apenas 1,2% do total exportado pelos industriais.

No entanto, a própria Apex explica que os resultados podem levar anos para aparecer. “O principal motivo das missões são os novos contados. Há certo desconhecimento dos produtos brasileiros. Resultados podem ser vistos entre um e dois anos após o contato inicial”, afirma Vinícios Estrela, supervisor de acesso a mercados da Apex.

Os mercados potenciais foram escolhidos a dedo, diz Estrela. “A Hungria, por exemplo, é um país que está envelhecendo. Isso abre espaço para equipamentos e artigos de saúde”, avalia. “Sabemos quais são os concorrentes, as condições do mercado, legislação, tendências, tudo para que os empresários sejam bem-sucedidos na missão”, explica Estrela.

Otimismo

Dois executivos consultados pela reportagem, um do setor de saúde, e outro de alimentos, estão otimistas quanto à viagem ao país europeu. Segundo eles, a estratégia montada pelo governo é acertada.

No entanto, nem tudo são flores. A falta de conhecimento sobre as leis locais e o preço do produto brasileiro são impeditivos para um sucesso maior.

Demétrio da Cruz Silva, diretor de vendas internacionais da Loktal, empresa de equipamentos médicos, afirma que as exportações têm crescido rapidamente e ganhado participação no faturamento da companhia. “Este ano, US$ 5 milhões vêm das exportações. Cresceram 37% desde o ano anterior e já conseguimos clientes que eram de nossos concorrentes no exterior”, afirma. Ele está empolgado em trabalhar com mercados em desenvolvimento. “Temos um bom produto e bom preço. Se a Turquia, ou qualquer outro país, investe em saúde, temos espaço para entrar no mercado.”

Priscilla Nakaya, chefe do escritório europeu da Sakura, vê mais dificuldades que seu colega de viagem. Segundo ela, o preço dos produtos alimentícios no Brasil não é tão competitivo nos países emergentes. “Sempre tivemos um retorno rápido com as missões. Hoje, exportamos para Europa, Japão e Oriente Médio. Nestes mercados não temos problemas com preço, pois aceitam pagar mais caro por um bom produto. Mas em mercados em crescimento é mais complicado”, diz.

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