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Para a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes, custo de produção no Brasil continua subindo, principalmente devido ao impacto dos custos da folha de pagamento

Agência Estado

A presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, disse nesta terça-feira que as exportações brasileiras de papéis, em receita, acumulam queda de 11% entre janeiro e setembro deste ano sobre o mesmo período de 2011. Com relação às exportações de celulose a perda de receita foi de 9%. "Nós somos altamente dependentes do mercado externo. As importações também caíram um pouco. Essa é a boa notícia", afirmou sem no entanto detalhar números.

Segundo ela, a atual crise "é mais profunda e abrangente e tudo indica que duradoura" do que a de 2009. A crise enfrentada há três anos, em sua opinião, foi "bastante ruim" para o setor, fez com que ele perdesse "bastante liquidez", mas teve um lado positivo, já que permitiu ao setor brasileiro crescer em volume, porque muitos milhões de toneladas deixaram de ser fabricados no mundo. Com isso, o Brasil conseguiu avançar em importantes mercados, como o chinês.

Elizabeth disse que o custo de produção no Brasil continua subindo, principalmente devido ao impacto dos custos da folha de pagamento. "A produtividade cai, o custo da mão de obra sobe e o custo de produção sobe. Os ganhos da folha de pagamento têm sido completamente incompatíveis com a produtividade."

Apesar disso, no longo prazo, porém, ela vê a necessidade de investir pesadamente em inovação e tecnologia, porque a China não será autossuficiente em celulose. "Mais e mais a celulose brasileira, que é a mais pura do mundo, será demandada", avalia.

Devido a esse cenário que considera "conflitante" entre o curto e longo prazo do setor, ela defendeu que o governo brasileiro desonere "definitivamente" os investimentos. "Sem isso não vai ser possível retomar investimentos no curto prazo", afirmou. Elisabeth elogiou, porém, a recente medida do governo de desonerar a folha de pagamento, que incluiu o setor de papel e celulose. "O mais elogioso dessa medida é o fato de ela ser definitiva, não é medida paliativa, não é de curto prazo."

A presidente da Bracelpa também defendeu a renovação do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), programa de incentivo às exportações, válido até dezembro.

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