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Ministério da Agricultura fixou limites máximos de adição de caramelo e agora o líder de vendas do setor, o vinagre de álcool escuro, vai desaparecer em definitivo das gôndolas

Apesar do nome derivado do vinho, mais de 90% do vinagre consumido no Brasil têm como origem o álcool da cana de açúcar e não recebe sequer uma gota da bebida feita a partir da uva
Getty Images
Apesar do nome derivado do vinho, mais de 90% do vinagre consumido no Brasil têm como origem o álcool da cana de açúcar e não recebe sequer uma gota da bebida feita a partir da uva

O governo federal resolveu intervir no mercado de vinagres brasileiro e proibiu a adição indiscriminada de caramelo para que o produto não passe mais a impressão de ter como matéria-prima o vinho tinto. Com isso, o vinagre de álcool escuro, que responde hoje por 55% de um mercado de R$ 240 milhões anuais, desaparecerá de forma definitiva das gôndolas dos supermercados já a partir do mês que vem. De acordo com uma instrução normativa do Ministério da Agricultura que entra em vigor no próximo sábado, a partir da semana que vem os fabricantes não poderão mais colocar esse tipo de produto no mercado.

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Apesar de pouco conhecido do público consumidor, hoje cerca de 90% de todo o vinagre produzido no Brasil – 200 milhões de litros por ano – são feitos a partir do álcool da cana de açúcar. Apenas uma quantidade pequena é oriunda do vinho, ao contrário do que o seu nome faz acreditar. Para conseguir fazer com que o produto tivesse uma aparência semelhante ao do vinho, os fabricantes brasileiros adicionam quantidades variáveis de caramelo no vinagre produzido a partir da cana.

O que muda agora, por decisão do governo, é a quantidade máxima permitida de caramelo a ser adicionada. “Os padrões técnicos impostos pela Instrução Normativa número 6 do Ministério da Agricultura farão com que não seja mais possível atingir a coloração escura. A quantidade de caramelo que poderemos adicionar só vai permitir que aquele vinagre de cor amarelada permaneça no mercado”, diz Marcelo Cereser, diretor superintendente da Castelo Alimentos e um dos diretores da Associação Nacional das Indústrias de Vinagre.

Para conseguir adquirir vinagre escuro, o consumidor agora terá que desembolsar mais e comprar um produto que tenha como origem o vinho tinto, muito mais caro que o produzido a partir da cana de açúcar. Enquanto o custo de produção de um litro de vinagre a partir do vinho sai por R$ 0,53 para a indústria, o mesmo produto tendo como origem o álcool da cana de açúcar custa R$ 0,07.

“É uma diferença brutal e essa lógica se repete em todo o mundo”, diz Cereser. De acordo com ele, em praticamente todos os países onde a produção de vinho não é farta e barata os produtores de vinagre utilizam álcool de outras matérias primas. “Nos Estados Unidos é o milho, no Japão o arroz e na Tailândia usam até folha de coco. Vinagre de vinho mesmo a preços populares, só na Europa mesmo”.

A decisão do governo em publicar a instrução normativa que entra em vigor a partir de sábado tem, entre outras questões, a intenção de deixar isso mais claro para o consumidor. Além da limitação no volume de caramelo, os fabricantes também terão que seguir normas padronizadas de apresentação nas embalagens dos produtos. Os fabricantes poderão comercializar após a entrada em vigor da medida os estoques dos produtos que saírem das fábricas até o dia 5 de outubro.