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Aprovação pelo conselho abre caminho para criar companhia avaliada em US$ 90 bilhões, porém acionistas importantes já se manifestaram contra a realização do negócio; Brasil será uma das prioridades da nova empresa

Agência Estado

O conselho da mineradora Xstrata aprovou a fusão com a suíça Glencore, abrindo caminho para a formação da maior empresa de commodities do mundo, avaliada em US$ 90 bilhões. O acordo foi anunciado na segunda-feira pelas duas empresas, que prometem eleger o Brasil como uma das prioridades.

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Horas depois de o acordo ter sido anunciado, porém, acionistas da Xstrata publicaram cartas alertando que vão se opor à transação. O acordo era para ter sido fechado em fevereiro, mas acionistas da Xstrata exigiram melhores condições para a fusão. A oposição era liderada principalmente pela Qatar Holding, de propriedade do fundo soberano do país do Golfo e que, sozinho, tem 12% das ações da empresa.

No projeto original, a Glencore pagaria US$ 41 bilhões pelas ações da Xstrata. Mas o pacote não foi considerado suficiente. A Glencore oferecia 2,8 ações próprias por ação da Xstrata, e teve de elevar a oferta a US$ 3,05 por ação. Mas, em compensação, a Glencore exigiu que seu presidente, Ivan Glasenberg, assumisse o controle do novo grupo.

Pelo projeto inicial, essa cargo ficaria com Mick Davis, da Xstrata. Davis ainda ficou com um pacote menor de compensações, o que poupará mais de US$ 35 milhões no acordo. No total, os 73 diretores da Xstrata receberiam mais de US$ 200 milhões, num acordo mediado pelo ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Só o ex-chefe de governo ficou com US$ 1 milhão por conduzir três horas de negociação, em plena madrugada.

Na segunda-feira o conselho da Xstrata deu seu aval , recomendando aos acionistas aprovarem a fusão. Mas dois dos principais fundos de acionistas - o Knight Vinke Asset Management e o Threadneedle Inv. - optaram por manifestar sua oposição.

A avaliação é de que a empresa está sendo vendida a um preço baixo, enquanto os bônus de executivos estão altos demais. Para os fundos, o acordo “não faz sentido” para seus clientes. Para passar, o acordo precisa do apoio de 75% dos acionistas, e a rejeição dos dois fundos pode ameaçar a conclusão do negócio.

Analistas já apontam que a fusão cria a empresa mais completa em termos geográficos e em relação à gama de commodities envolvida. Enquanto a Glencore se especializou em produtos agrícolas e energia, a Xstrata tem feito amplos investimentos em reservas de carvão, cobre e níquel na África, na América do Sul e na Ásia.

Ambas indicaram que o Brasil promete ser um de seus principais focos de investimentos. No País, a Glencore já tem uma rede de produção de açúcar e usinas para a produção de óleo de soja, com capacidade de 350 mil toneladas por ano. A Xstrata aposta alto em sua reserva de níquel na região do Araguaia, estimada em 105 milhões de toneladas. As informações são do jornal <b>O Estado de S.Paulo</b>.

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