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Alta da produção doméstica acelera demanda por tratores e colheitadeiras produzidos pela AGCO

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas continua fértil para a AGCO, na opinião de André Carioba, vice-presidente sênior para a América Latina. O grupo, que no Brasil comercializa as marcas de tratores e colheitadeiras Massey Ferguson e Valtra, prevê crescimento nas vendas entre 5% e 10% para 2012 e também para o próximo ano. “As commodities estão com preços altos, a safra foi recorde e a expansão das fronteiras agrícolas também demanda mais máquinas”, diz o executivo.

No segundo trimestre, o lucro global do grupo cresceu 53% e ficou em US$ 204,9 milhões. A receita obtida com as vendas aumentou 14% e fechou o período em US$ 2,69 bilhões. No primeiro semestre, a receita na América do Sul teve alta de 19,1%, saltando de R$ 1,45 bilhão no mesmo período de 2011, para R$ 1,75 bilhão.

Apesar do mercado doméstico estar em um bom momento, as exportações de máquinas produzidas por aqui estão em desvantagem. Os altos custos de logística e a carga tributária estão atrapalhando o desempenho da companhia nos demais países emergentes. “O custo Brasil nos faz perder competitividade”, afirma Carioba.

Por isso, a companhia vem buscando outros mercados para instalar novas unidades fabris. Já são duas fábricas na China e uma parceria com um grande fabricante de tratores na Índia. Além de baixo custo produtivo e maior competitividade na hora de exportar, esses mercados têm grande demanda. Carioba revela que a fabricante indiana já produz alguns tratores da Massey Ferguson para o mercado indiano e que a intenção é estreitar ainda mais essa parceria e no futuro, exportar a produção de alguns modelos feitos por lá, para o Brasil.

“Este ano a nossa parceira deverá produzir 54 mil tratores na Índia, é quase o que o mercado brasileiro consome por ano”, calcula.

A companhia também está iniciando a construção de uma fábrica na Argentina. Recentemente o grupo anunciou a aquisição de 50% de uma empresa na Argélia. Os valores não são divulgados pela companhia, mas mostram a busca por alternativas à fabricação no Brasil.

Os investimentos anunciados anteriormente pela companhia no Brasil estão perto de ser concluídos. Até o final do ano, a nova fábrica de Santa Rosa (RS), que recebeu investimentos de R$ 65 milhões, deve ser inaugurada. “Teremos um moderno centro de pinturas para colheitadeiras, com qualidade equivalente ao da indústria automobilística”, diz Carioba.

Expansão em novos setores

Como parte do plano de expansão do mercado brasileiro, no final de 2011 o grupo anunciou a aquisição de 60% da Santal, empresa de Ribeirão Preto (SP), por US$ 31 milhões. “Por enquanto estamos com 60% da companhia”, afirma Carioba, deixando no ar se é de interesse do grupo deter 100% do capital.

No início deste ano, foi a vez de a companhia concluir a compra da GSI Holding. A multinacional, com sede em Illinois (EUA) é especializada na fabricação de equipamentos para armazenagem e produção de grãos e proteínas. Comprada por US$ 940 milhões, o negócio marcou as entrada da AGCO em um novo segmento.

Por ora, a companhia se dedica à integração das duas novas empresas ao grupo e não tem previsão de fazer novas aquisições no Brasil. “Estamos sempre de olho, abertos a novas oportunidades, mas não temos nada concreto por enquanto”, diz Carioba.

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