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Atualmente, as propostas sustentáveis da empresa alemã para as grandes cidades rendem à companhia 800 milhões de euros anualmente

Para chamar cada vez mais a atenção do mercado e, principalmente, de governos para suas tecnologias sustentáveis, a Siemens inaugurou ontem, em Londres, no Reino Unido, seu edifício conceito “Crystal”. A construção dotada dos mais novos recursos da empresa abrigará o quartel general da Siemens para o segmento de Infraestrutura e Cidade.

Sem divulgar números sobre os investimentos feitos pela companhia no desenvolvimento do projeto, Roland Busch, diretor do setor, afirma que este é o principal passo que a empresa dá para firmar-se como uma gigante da infraestrutura urbana. “É um mercado de € 300 bilhões, no qual não consiste simplesmente na venda de um produto. É necessário criar um ambiente de diálogo e soluções”, explica Busch.

Peter Löscher, presidente mundial da Siemens, espera, com o novo centro, estreitar seu relacionamento com mercados emergentes. “Pretendemos replicar este modelo na Ásia e nas Américas”, afirma o CEO.

O principal trunfo da companhia é o novo gerenciamento automatizado de energia e segurança, que desenvolvidos sob uma única plataforma, possibilita a economia de energia elétrica em até 50%. “O gerenciamento integrado é nossa maior prioridade. Replicaremos essa eficiência para grandes cidades que possuem problemas como população, produtividade e organização”, diz Löscher.

Atualmente, os projetos sustentáveis da Siemens para as grandes cidades rendem à companhia € 800 milhões anualmente. “Queremos criar aqui no Crystal novas soluções. Por isso estamos estreitando relações com países em desenvolvimento. São lugares que precisam de soluções imediatas, e as temos”, destaca Busch.

O novo edifício, localizado em uma zona afastada do centro londrino, gerou críticas no Reino Unido. Poucos empregos serão criado, e os com maior rentabilidade já possuem donos: os alemães. “Teremos 50 empregados locais, trabalhando na organização e manutenção da construção”, diz Busch, pouco depois de comentar que o prédio funciona quase sozinho.

A crítica nasce no desespero europeu frente a crise financeira que continua a fechar postos de trabalho em todo o continente. Questionado sobre a viabilidade econômica de desenvolver projetos sustentáveis em um momento tão delicado, Busch foi enfático: “Nossas soluções criam receitas, e não despesas. Cada vez mais, a produtividade e ganho de eficiência energética serão as principais diretrizes de empresas e governos”.

Brasil

Ainda que de forma insípida, a Siemens afirma já ter soluções prontas para serem vendidas ao governo brasileiro caso obras de mobilidade urbana não fiquem prontas a tempo dos grandes eventos. Segundo a companhia, a experiência adquirida em países como Índia e Emirados Árabes é suficiente para resolver problemas em um curto prazo.

Segundo Busch, o transporte e segurança pública precisam ser prioritários no Brasil. “Temos condição de dobrar a capacidade diária de um aeroporto apenas com organização. Em um pequeno período, como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, não é necessário criar novas estruturas. Temos condição de transformar um terminal que já é sobrecarregado em algo altamente eficiente”, diz Busch.

Para a segurança, o executivo acredita que um modelo semelhante ao utilizado em Dubai, com monitoramento feito por 3 mil câmeras, pode servir de ponto de partida. “Os equipamentos, hoje, não só monitoram, mas também reconhecem ações ilícitas. Em muitos casos não será necessária uma ligação de denúncia, apenas uma câmera”, comenta.

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