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Cálculo é do secretário de Desenvolvimento do estado sobre potencial da 11ª rodada de áreas de exploração

O anúncio da 11ª Rodada de Licitações de Blocos de Exploração e a primeira rodada do pré-sal em maio e novembro de 2013, respectivamente, divulgados na terça-feira pelo governo, já movimentam as empresas do setor de petróleo e gás. Executivos presentes à Rio Oil & Gas, no Riocentro, comemoraram a definição dos leilões. No entanto, as empresas alertaram para a necessidade de que o Congresso aprove as regras para royalties, condição para que os leilões possam, enfim, acontecer. O último leilão de blocos exploratórios aconteceu em 2008.

A ANP ainda vai divulgar oficialmente quais serão os blocos em terra e no mar que serão licitados. As áreas ficam na chamada margem equatorial brasileira, que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e, ao todo, seriam 178 o número de blocos ofertados em leilão.

Presidente do World Petroleum Council (Conselho Mundial do Petróleo), Renato Bertani avalia que o anúncio feito pelo ministro de Minas e Energia põe fim a uma “paralisia muito danosa para o setor” e gera uma expectativa real de movimento na indústria. Segundo ele, o clima, entre os empresários do setor, é de entusiasmo. “Ao menos agora, vemos um horizonte definido para a indústria de petróleo, que é pujante, mas poderia ser muito mais ativa.”

Luciano Seixas Chagas, geólogo e diretor da Barra Energia , também comemorou a nova rodada. “A decisão pela realização é uma informação bastante alvissareira. É uma atitude de bom senso da presidenta que já passou do tempo de ser tomada. Temos que somar esforços para que a gente agilize a aprovação dos royalties. Nunca vi coisas do tamanho do pré-sal, em 40 anos de profissão. Há um potencial imenso e capital lá fora (referindo-se ao capital estrangeiro de empresas como a própria Barra Energia) com imenso interesse”, disse ele. O executivo destacou que as áreas de interessa da Barra Energia é em blocos no mar.

“A Barra Energia tem de capital alocado US$ 1,2 bilhão para investimentos. Uma parte já foi gasta mas ainda há perto de US$ 800 milhões para investimentos nos futuros leilões. E havendo necessidade, nosso investidor poderá aportar mais dinheiro. Estamos estudando a costa equatorial, desde que o leilão apresente coisas interessantes. Não temos foco na atividade em terra”, completou.

Para o diretor de Produção da Queiroz Galvão Exploração e Produção, Danilo Oliveira, empresas que operam no Brasil e no exterior certamente vão se interessar pela Rodada de Licitações. Ele comentou que sua empresa tem disponíveis US$ 200 milhões anuais para investimentos, montante que já inclui as áreas que serão licitadas.

“Nós temos interesse em tudo (referindo-se às áreas da 11ª rodada e também a primeira rodada do pré-sal). Temos um planejamento de gasto US$ 200 milhões na área de exploração por ano, nos próximos três a quatro anos, incluindo as áreas que serão licitadas. O pré-sal é o filet mignon”, disse. Hoje, a companhia participa na área de exploração nos blocos BMS-4 e BMS-8, na Bacia de Santos e tem também atividades na Bahia.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Julio Bueno enfatizou que as possibilidades de investimentos no Brasil por parte de empresas brasileiras e estrangeiras é imenso e que por isso mesmo é necessário que as rodadas aconteçam

“O governo já tem um acordo com os estados produtores. Eu tenho expectativa que as rodadas aconteçam. Não é possível que isso não aconteça. Está na mão do governo federal, que tem os instrumentos”, disse

Para Julio, no entanto, o fato de a presidente Dilma Roussef ter dito que as rodadas acontecerão, é um sinal de que ela tem os instrumentos para que isso aconteça. E brincou: “A presidente tem borogodó”.

Com relação a investimentos de empresas no Brasil, ele disse que basta fazer uma conta simples, de regra de três. “Se 27% do pré-sal implica em US$ 500 bilhões em investimentos, 100% do pré-sal significa Y. Uma conta que pode chegar a US$ 1,5 trilhão. O que está em jogo é esse volume de investimentos”, acrescentou

Pedro Dittrich, sócio na área de Petróleo e Gas da TozziniFreire Advogados, assinalou que esta era a notícia que o setor esperava para elevar o ânimo dos investidores estrangeiros. Segundo ele, clientes do escritório com sede em outros países já vêm estudando a regulação brasileira e tomando todas as providências para investimentos e aguardavam o anúncio das próximas rodadas de licitação. Ainda segundo ele, precisamente sobre a 11 Rodada, há possibilidade de não ser necessária uma nova regulamentação.

“O Congresso ainda tem de aprovar a questão dos royalties, mas é bom ressaltar que, para que aconteça a 11ª. Rodada de Licitação da ANP, envolvendo áreas fora da área do pré-sal e onshore, nem é preciso, a rigor, que haja uma nova regulamentação.” (Com Carla Falcão e Yan Boechat, do IG)

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