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Versões diferentes de velhos produtos são parte da estratégia para país se tornar principal operação emergente

Conquistar novos consumidores até para os produtos que já estão bastante consolidados no mercado. Este é o desafio que a o laboratório japonês Takeda terá que enfrentar no Brasil para atingir o objetivo de ser a maior operação da companhia em países emergentes dentro de 5 anos. Hoje, o país ocupa a segunda posição, atrás apenas da Rússia. “Acredito que podemos acelerar e atingir essa meta ainda antes do previsto”, afirmou, ao BRASIL ECONÔMICO, Giles Platford, presidente da Takeda no Brasil.

Dona de marcas famosas no Brasil, como Neosaldina, Eparema e Dramin, a Takeda tem nesses medicamentos uma de suas principais armas para ganhar mercado por aqui. Recentemente, a companhia lançou novas versões dos três remédios. O último a ganhar uma apresentação diferente foi o Dramin, que agora é encontrado também em cápsulas de gel. “É uma forma de agregar valor ao produto e à marca”, diz Platford. Segundo a companhia, o Dramin possui mais de 40% de market share no segmento de antieméticos. Dados da IMS apontam que as vendas do medicamento movimentaram R$ 78 milhões em 2011.

Presente nas gôndolas das farmácias há mais de 50 anos o medicamento precisava de uma nova roupagem. “Nossas pesquisas de mercado mostraram que a marca era muito reconhecida, mas vista como algo antigo. Como a cápsula gelatinosa é uma tendência que vem muito forte entre os medicamentos isentos de prescrição, achamos que seria um bom caminho”, afirma Lia Garcia, gerente de produtos responsável por essa linha. Apesar de não ser um medicamento isento de prescrição (OTC, na sigla em inglês), a popularidade do Dramin faz com que o remédio tenha algumas semelhanças mercadológicas com esse tipo de produto.

Pesquisa

Além de novas apresentações para velhos e conhecidos produtos, a Takeda também tem investido no desenvolvimento de drogas inovadoras. “Nos próximos 18 meses devemos lançar de 3 a 5 produtos, sem considerar os genéricos, da nossa marca Multilab”, diz Platford. Até 2016, devem ser 15 novos medicamentos. “Estamos nos preparando para entrar em novas áreas, como os remédios contra hipertensão e os oncológicos.”

Os investimentos da Takeda em pesquisa e desenvolvimento são de cerca de 20% do faturamento. Com o crescimento da importância brasileira na operação global, o país tem recebido mais pesquisas. Atualmente, os 60 centros de pesquisa da companhia no país, testam novas drogas com mais de 2,6 mil pacientes. “Isso demonstra o quanto o mercado é estratégico para a matriz”, afirma o presidente.

Presença latina

A empresa não divulga dados separados por operação, mas a América Latina foi responsável por US$ 662 milhões dos US$ 19 bilhões faturados pela Takeda globalmente. Até a compra da Nycomed, em 2011, porém, a empresa não tinha forte presença na região e se limitava à importação de produtos. Depois, além de adicionar medicamentos líderes de venda ao portfólio, a empresa passou a contar com uma fábrica no Brasil, na cidade de Jaguariúna, no interior paulista. A expectativa é que a América Latina cresça 14% ao ano até 2016.

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