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Pesquisa mostra que só 20% das empresas cumprem prazos, metas e orçamentos

Mais de um terço dos projetos formulados pelas empresas ao redor do mundo fracassam. Isso acontece — em grande parte — pela falta de gestão organizacional das companhias. Segundo pesquisa Pulse of the Profession do instituto PMI, concedida com exclusividade ao BRASIL ECONÔMICO , 20% dos mil entrevistados descrevem suas organizações como tendo elevado grau de maturidade em gerenciamento de projetos (medido a partir do cumprimento de prazos, orçamento e objetivos) — ficando acima dos 11% observados em 2006. Em geral, são as grandes empresas que se enquadram neste grupo. Quase 30% das companhias com faturamento acima de US$ 1 bilhão relatam esse nível de maturidade ante os 10% das empresas com rendimentos anuais de até US$ 50 milhões. Alguns setores também são mais propensos a apresentar essa maturidade, tais como consultoria, varejo, indústria aeroespacial, tecnologia da informação e telecomunicações.

Entre os benefícios de se investir em gestão de projetos o principal é aumentar chances de sucesso. As organizações com níveis de maturidade mais elevados superam as de menor grau em 28 pontos percentuais no que se refere a prazo de entrega do projeto, em 24 pontos percentuais quando o assunto é enquadramento ao orçamento e em 20 pontos percentuais, no cumprimento de objetivos originais e intenções de negócios. Além disso, o resultado pode ser economia de gastos. Quando um projeto falha, um terço do orçamento, em média, é perdido para sempre. Isso significa que as organizações estão colocando em risco US$0,12 para cada US$ 1 gasto em projetos, ou seja, pouco mais de US$ 120 mil para cada US$ 1 milhão.

As condições econômicas provocadas pela crise vão continuar forçando as empresas a estruturarem uma carteira de projetos, se tornarem mais ágeis e investirem em talentos. “Às vezes, querer controlar tudo o que se passa faz com que se perca a agilidade. Quanto mais rapidamente são implementadas mudanças, menos riscos se corre, sem falar que obriga as empresas a ficarem mais atentas. O problema aparece quando o cenário é positivo, já que os executivos costumam relaxar”, afirma Ricardo Viana Vargas, presidente do PMI e especialista em gerenciamento de projetos, portfólio e riscos. “Há uma década, não se tinha dúvidas sobre o império da Estrela, no Brasil. Hoje, minhas filhas não sabem quem é essa fabricante de brinquedos que já foi tão poderosa.”

Para se conseguir atingir metas, as empresas precisam deixar os seus objetivos organizacionais mais claros e delegar responsabilidades para a equipe de projetos. “É o caso do Facebook. Logo após o IPO, as ações caíram porque os investidores não sabem para onde a empresa vai crescer, a liderança do Mark Zuckerberg está sendo desafiada. Isso é uma grande oportunidade para se reinventar”, diz. “Muitas pessoas me perguntam como explicar os benefícios de gerenciamentos de projetos — que às vezes são intangíveis. Imagina se os Estados Unidos soubessem no dia 10 de setembro que aconteceria um atentado no dia seguinte. Além de vidas, economizaria muitos bilhões de dólares. É a mesma coisa com as companhias. Quando dá certo, o custo é bem menor do que o custo do fracasso.”

Em geral, Vargas destaca que as empresas de capital aberto estão mais atentas a essas questões por causa do retorno que precisam dar aos acionistas. “Investidor é bem diferente daquele executivo que criou a empresa — não tem fidelidade. Se não está dando retorno, ele muda”, diz. “As empresas brasileiras estão no caminho certo de gerenciamento de projetos que podem torná-las mais ágeis. O problema é a burocracia que ainda trava o avanço, funcionando como freio de mão.”

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