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Com o auxílio de novas técnicas no preparo dos produtos e a charada de logística resolvida, rede paulista de docerias agora faz planos para se espalhar pelo País

Agência Estado

Todo dia centenas de caminhões saem de São Paulo para Belém, no Pará, levando todo tipo de carga. De automóveis a geladeiras, ferramentas a maquinário industrial, tudo passa por esses 2.913 quilômetros de estrada. Tudo mesmo. Até bolos, doces, pavês e outros quitutes. Mas como produtos tão delicados - e perecíveis - resistem aos solavancos dessa viagem?

A rede paulista de docerias Amor aos Pedaços conseguiu encontrar uma resposta para essa pergunta depois de décadas limitando sua expansão a um raio de 300 quilômetros da capital. “O charme de nossos bolos é que eles são artesanais. Não usamos conservantes e muitos dos doces, como o bicho-de-pé, são feitos ainda na panela, com colher de pau”, disse Silvana Abramovay Marmonti, sócia e fundadora da rede, junto com Ivani Calarezi. “Mudar isso seria perder nossa essência e deixaríamos de ser a Amor aos Pedaços”, disse Silvana.

Na tentativa de expandir sua rede, hoje com 60 lojas, a Amor aos Pedaços já tentou transferir parte da produção para outros Estados. “Estabelecemos que alguns master-franqueados, no Rio e no Paraná, iriam gerenciar, cada um, uma unidade de produção”, lembrou Silvana. Isso foi há dez anos e não deu certo. “Eles não conseguiam tomar conta da rede e das fábricas ao mesmo tempo. A qualidade ficou comprometida e foi um fiasco.”

Apesar do fracasso, a ideia da expansão continuou sendo uma meta para Silvana e Ivani. As duas, então, passaram a tarefa à engenheira de alimentos Tania Nakajima, que ganhou também um prazo para encontrar a solução: em um ano, a empresa teria de estar pronta para iniciar o processo de expansão para outros Estados.

“Nossa primeira ideia foi congelar”, lembra Tania, que já tem 19 anos na Amor aos Pedaços. “Mas congelando, criávamos um problema para as lojas pois muitas não têm espaço na cozinha para mais um freezer ou para armazenar os bolos. ”A ideia seguinte foi usar uma embalagem a vácuo, mas também não deu certo: quando era retirado da embalagem, o bolo praticamente esfarelava. Mas conversando com seus colegas da Associação Brasileira de Engenheiros de Alimentos (Abea), a engenheira teve a ideia de “customizar” a embalagem a vácuo.A massa do bolo - já assada e pronta para a montagem - começou a ser embalada em uma espécie de bolsa plástica da qual é retirado todo o oxigênio. “Uma mistura de gases é injetada nessa bolsa hermeticamente fechada e eles conservam o bolo por até seis meses”, conta.

Na mesma embalagem, a Amor aos Pedaços agora consegue transportar recheios e doces, como o brigadeiro mole. Tudo é embarcado em caminhões de uma empresa terceirizada. Semanalmente, a empresa despacha o caminhão para atender as recém inauguradas lojas em outros Estados.

Quando chegam às franquias, o bolo é retirado da embalagem para ser montado: recebe recheio, cobertura e vai para a vitrine. Os franqueados têm um treinamento de 30 dias na sede para manter a mesma qualidade.

Com a charada da logística resolvida, agora a Amor aos Pedaços faz planos para se espalhar pelo País. Já têm lojas em Minas Gerais, no Maranhão, no Espírito Santo, Distrito Federal, na Bahia, no Mato Grosso do Sul e no Pará. A meta da companhia, que faturou R$ 56 milhões em 2011, é saltar de 60 para 100 lojas nos próximos três anos - e alcançar 160 até 2017. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.