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Safra de grãos e falta de chuva nos Estados Unidos contribuíram para aumento das vendas

A indústria de máquinas agrícolas tem bons motivos para estar otimista com o mercado brasileiro. Depois de uma safra recorde de grãos, que fechou em 165,9 milhões de toneladas, 1,9% superior ao período passado, as montadoras de tratores, colheitadeiras e plantadeiras veem as vendas crescerem.

O resultado disso está nos investimentos. “O setor de máquinas agrícolas é um dos setores mais competitivos do Brasil e onde enxergamos mais oportunidades de crescimento nos próximos anos”, revela Valentino Rizzioli, presidente o grupo CNH para a América Latina, dono das marcas Case e New Holland, do grupo Fiat.

Graças ao crescimento das vendas, além dos R$ 600 milhões destinados para a fábrica de Montes Claros (MG) no início do ano, a companhia está investindo pesado nas unidades existentes e estuda construir novas, para ampliar em 30% sua capacidade produtiva. No total, serão R$ 1,7 bilhão injetados no Brasil até 2014. Para Rizzioli, cada vez mais, o produtor vai precisar de equipamentos com alta tecnologia, resistentes e com alto desempenho. “Os investimentos que temos feito no Brasil e as tecnologias que desenvolvemos mostram a importância dos produtores brasileiros para nós”, diz o executivo.

No ano passado, a CNH comercializou 2.463 colheitadeiras contra 2.143 em 2010. O grupo também vendeu 12.282 tratores no ano passado e 13.797 no ano anterior. Para 2012, a expectativa é positiva para o mercado nacional, que deve consumir no total, 5.800 colheitadeiras e 52.500 tratores. “Mas esse montante poderá ser superado por conta da boa expectativa das safras que estão sendo semeadas", diz Alfredo Jobke, diretor comercial da Case IH.

Segundo Werner Santos, diretor de vendas da John Deere, o aumento da produção, somado à redução da taxa do Finame Rural PSI, de 5% para 2,5% garantiu mais dinheiro no bolso dos produtores rurais. “Com isso, crescem os investimentos em tecnologia de produção, ou seja, máquinas”, diz. Nos últimos anos, a companhia investiu na ampliação de linhas de produção e desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento.

Para a Valtra, que começou o ano esperando uma retração graças à seca no Rio Grande do Sul e viu suas vendas crescerem, o mercado está em um dos melhores momentos dos últimos anos. “Deveremos ter um ano equivalente ou até melhor que 2011”, calcula Paulo Beraldi, diretor comercial da companhia.

Segundo ele, atualmente, os negócios no Brasil do grupo AGCO — dono da Valtra e Massey Fergusson — representam uma fatia significativa do que é movimentado globalmente. “Devemos vender cerca de 12 mil tratores neste ano e crescer 10% em colheitadeiras, ficando entre 260 e 300 unidades.”

Celso Casale, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), prevê que o mercado deve continuar a crescer. Até a seca nos Estados Unidos surtiu efeito positivo por aqui. “Esperamos aumento de 15% nas vendas”, diz. Para ele, o maior desafio do Brasil ainda está na redução de custos e aumento da competitividade.

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