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Meta é brigar por funcionários em igualdade de condições com empresas que surgiram no Vale do Silício, como Apple e Google, que acabaram se tornando polos de atração de cérebros

Agência Estado

No imaginário popular, a 3M é a “empresa do post-it”. Mas não é só de papéis adesivos que vive a centenária empresa americana. Com um faturamento de US$ 30 bilhões, a 3M é muito mais que a invenção que lhe deu fama. Suas linhas de produto vão das esponjas de cozinha a adesivos usados por dentistas para selar obturações. Passam por componentes plásticos altamente resistentes nos motores de carros e chegam aos estetoscópios usados pelos clínicos gerais. É difícil definir uma empresa que faz tantos produtos diferentes?

A própria 3M também acha. Por isso, o novo presidente da companhia, o sueco Inge Thulin, de 59 anos, decidiu pôr ordem nesse labirinto corporativo, que a cada ano fica mais complexo. Após um trabalho de seis meses, o executivo conseguiu reunir todas as linhas de produtos sob três “guarda-chuvas”: inovações para empresas, para o lar e para qualidade de vida.

O resultado, conta o novo presidente, foi que muita gente de dentro da 3M “descobriu” novos produtos da empresa. A 3M não é a primeira gigante corporativa a tentar reorganizar a casa. O caso mais conhecido é o da GE, que definiu prioridades claras dentro de sua linha de produtos - com isso, ganharam força as áreas de energia e cuidados com a saúde. No caso da 3M, o maior desafio é a atração de talentos.

A meta é brigar por funcionários em igualdade de condições com empresas que surgiram bem mais tarde no Vale do Silício, como Apple e Google, que acabaram se tornando os novos polos de atração de cérebros. A tarefa é difícil, porque a disputa não se dá apenas no território técnico, onde reside a força da 3M. Não se trata somente da melhor engenharia de produtos, mas também da satisfação “emocional” de quem trabalha na empresa.

A briga mundial por talentos da 3M também se dá no Brasil, um dos cinco principais mercados da companhia. A empresa, que fatura R$ 2,7 bilhões e tem mais de 4 mil funcionários no País, quer elevar o número de engenheiros em seu centro de pesquisa de 150 para 250 em dois anos. “Nosso objetivo é aumentar a quantidade de patentes voltadas às necessidades do mercado local”, explicou Thulin.

O setor industrial também faz parte do plano de investimentos da 3M, que contempla entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões ao ano para o País. De acordo com o presidente mundial, o objetivo para os próximos anos é elevar o porcentual de manufatura local dos produtos vendidos em território brasileiro de 70% para 75%.

Hoje, são sete fábricas em operação no Brasil - a mais recente delas, de microesferas de vidro, foi inaugurada em fevereiro deste ano. O produto é aplicado na indústria de cosméticos para melhorar textura de batons, sombras, blushes, entre outros. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.