Tamanho do texto

Parcerias com laboratórios públicos possibilitam desenvolvimento de defensivos para lavouras de menor porte, que costumam ser negligenciadas

Produzir defensivos químicos para lavouras como as de morango, alface e pimentão é algo que costuma ficar longe do radar da maioria das multinacionais que dominam este mercado no Brasil. Apesar de serem presença constante na mesa dos brasileiros, a representatividade econômica dessas culturas está muito distante do peso da soja ou da cana-de-açúcar, por exemplo. “Pela própria lógica do mercado e o custo e complexidade de desenvolver uma pesquisa é natural que as empresas foquem nos grandes cultivos e acabem negligenciando um pouco os de menor porte”, afirma Leandro Martins, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da área de proteção de cultivos da Basf para a América Latina.

Para contornar esse problema, a subsidária brasileira da Basf fechou uma parceria com a Universidade Estadual de Maringá, no Paraná. Pelo acordo, os pesquisadores da universidade receberão apoio da Basf para estudar como quatro produtos da empresa podem atender as necessidades de até 16 tipos diferentes de culturas, todas elas normalmente negligenciadas.

Em boa parte, a parceria está relacionada com a postura do governo, que, através do Ministério da Agricultura, tem incentivado as multinacionais a desenvolver ou adaptar produtos para esse tipo de lavoura, conhecido como minor crops ou cultura com cobertura fitossanitária insuficiente. No caso da Basf, que tem seus centros de pesquisa básica concentrados nos Estados Unidos e na Europa, a melhor solução encontrada para “tropicalizar” as pesquisas foi fechar acordos com universidades e laboratórios locais.

No passado, a Basf realizava todo esse processo sozinha. Depois de serem iniciadas nos laboratórios centrais, as pesquisas seguiam para as “estações” locais, onde apenas os pesquisadores da própria empresa tinham acesso ao que estava sendo desenvolvido. De um tempo para cá, o quadro começou a mudar. “No passado a empresa gostava de ter todo o controle sobre o desenvolvimento, mas vimos que não basta ter o centro de pesquisas mais avançado, é preciso unir isso a um grande conhecimento das estruturas locais e esse conhecimento costuma estar nas universidades”, afirma Martins.

Segundo ele, o desenvolvimento de cada nova tecnologia custa em torno de ¤ 200 milhões à Basf, em um processo que consome até 10 anos de pesquisa. “É só a partir do quarto ou do quinto ano de pesquisa que começa a ir para as diversas regiões do mundo, onde o produto é testado nas condições de cada país”, diz o executivo. Depois disso, são necessários cerca de mais cinco anos de desenvolvimento para que o produto possa finalmente ser patenteado e lançado comercialmente.

Resultados

Desde que começou a dar mais importância à inovação aberta, há pouco mais de cinco anos, a Basf já teve alguns resultados. De um acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, nasceu a primeira soja geneticamente modificada desenvolvida no Brasil e uma variedade de cultivo de arroz mais resistente. Esse acordo foi renovado em meados do ano passado para trabalhar em pesquisas mais voltadas à biotecnologia.

Também no esforço de atender melhor às demandas da agricultura na América Latina, a Basf inaugurou no mês passado um novo centro de tratamento de sementes. Localizado na cidade de Santo Antônio de Posse, no interior paulista, o laboratório consumiu investimentos da ordem de US$ 2,5 milhões. “O futuro da produção de alimentos está nos trópicos, então é muito estratégico adaptar o que é pesquisado na Europa para a nossa realidade de clima, solo e principais lavouras”, diz Martins.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico