Tamanho do texto

Hoje, país responde por 2% das vendas, mas Comitè Colbert, que reúne principais empresas do setor, vê tendência de aumento

As marcas de luxo que pretendem se instalar no Brasil enfrentam uma séria concorrência: a criatividade do povo brasileiro, que facilita o surgimento de marcas nacionais. “A competição por aqui é muito forte, porque existem boas marcas brasileiras em vários segmentos do luxo, como a moda, os cosméticos e os hotéis”, afirmou, ao BRASIL ECONÔMICO, Elisabeth Ponsolle des Portes, presidente do Comité Colbert, uma associação que reúne algumas das principais marcas de luxo da França.

Não é somente a criatividade brasileiras que atrapalha a chegada de novas marcas de luxo ao mercado brasileiro. “A carga tributária por aqui é muito grande e o preço dos produtos acaba sendo pelo menos o dobro no Brasil”, afirma Elisabeth. Segundo ela, o Comité Colbert tenta contornar essa situação entrando em contato com as autoridades brasileiras para diminuir essas barreiras. “Seria bom não só para nós, mas para a economia como um todo, já que mais lojas significam mais emprego e até mais impostos para o país.”

Enquanto a situação não muda, o brasileiro tende a saciar seu desejo por marcas de luxo no exterior. “Hoje, apenas 40% vendas de artigos de luxo para brasileiros são realizadas no Brasil”, afirma a executiva.

Mesmo diante desses desafios, atender o mercado brasileiro com lojas instaladas por aqui é algo que faz brilhar os olhos de muitas grifes francesas. Hoje, os brasileiros respondem por 2% das vendas globais de mercado de luxo, número que tende a crescer. “Nos últimos dois anos vemos um movimento de abertura de lojas francesas por aqui”, diz Elisabeth. A expectativa dessas empresas é que o mercado se mantenha favorável a elas por, pelo menos, mais 20 anos, motivado pelos aspectos demográficos do país e pelo aumento da renda.

Não é só o maior poder aquisitivo do consumidor local que torna o mercado atrativo. “O brasileiro tem uma característica que nem sempre é encontrada em outros mercados: ele valoriza demais os aspectos intangíveis do luxo, como um atendimento diferenciado, por exemplo”, afirma Elisabeth.

Outra característica típica dos brasileiros que serve como estímulo para as marcas francesas é a boa imagem de seus produtos por aqui. “Existe uma relação muito antiga entre os dois países e os brasileiros gostam muito do que vem da França”, diz a executiva.

O comitê

A entidade presidida por Elisabeth, o Comité Colbert, é uma espécie de clube restrito para marcas de extremo luxo. Para se tornar membro, a empresa precisa reunir uma série de características, como presença internacional, produtos criativos e de qualidade e ter uma certa “poética”. “Uma marca só é realmente de luxo quando faz as pessoas sonharem”, diz Elisabeth.

Hoje, esse clube é composto por 75 marcas, como Hermès e Louis Vuitton, que juntas movimentam ¤ 31 bilhões por ano, sendo 89% desse valor para mercados fora da França. “Japão e Estados Unidos são os grandes compradores, mas Brasil, China e Rússia ganham cada vez mais espaço”, diz Elisabeth.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico