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Valor da operação pode chegar a R$ 700 milhões

Agência Estado

A chinesa Lenovo deve anunciar nesta quarta-feira a compra da brasileira CCE, que já esteve entre as maiores indústrias do setor eletroeletrônico no País, segundo fontes envolvidas no processo. Na noite de terça-feira os assessores jurídicos e financeiros das duas empresas trabalhavam na redação final dos contratos para que Yang Yanquing, presidente mundial da Lenovo, pudesse fazer nesta quarta o “maior anúncio da história da empresa no Brasil”, conforme definiu a própria companhia.

O valor da operação, que poderia chegar a R$ 700 milhões, não estava completamente definido porque dependia de algumas decisões que ficaram para última hora. Os chineses estão adquirindo 100% da CCE, o que inclui a marca, o parque fabril em Manaus e instalações em São Paulo. Procurada, a Lenovo afirmou que não comentaria “rumores de mercado”. A reportagem não conseguiu contato com a CCE.

Segunda maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo tem enfrentado dificuldades para crescer no Brasil. As líderes locais são a brasileira Positivo Informática e a americana HP. Com a compra da CCE, a Lenovo deve dobrar de tamanho no Brasil, ficando entre as cinco maiores fabricantes locais.

O Brasil é o terceiro maior mercado de microcomputadores do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. No ano passado, foram vendidas 15,3 milhões de unidades, um crescimento de 9% sobre 2010, segundo a Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Em julho, a Lenovo anunciou o investimento de US$ 30 milhões para construir uma fábrica em Itu, no interior de São Paulo. A expectativa era iniciar as operações até o fim do ano, contratando até 700 pessoas. Faz tempo que a Lenovo tenta adquirir uma fabricante brasileira. Há alguns anos, negociações com a Positivo acabaram sem resultado. Nos últimos meses, os chineses conversaram com várias empresas brasileiras, antes de chegar a um acordo com a CCE.

Foi a aquisição da divisão de PCs da IBM, em 2004, que deu projeção mundial à Lenovo. Nos últimos anos, a empresa apostou na expansão internacional, com a compra da alemã Medion e a criação de uma joint venture com a japonesa NEC. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.