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No ano passado, o Frigol teve faturamento de R$ 520 milhões. Neste ano, pretende ter uma receita bruta de R$ 700 milhões, representando aumento de quase 35%

Agência Estado

O Frigol S/A, de Lençóis Paulista (SP), está na lista dos poucos frigoríficos que entraram em recuperação judicial - como o Frialto - e que estão conseguindo cumprir o cronograma de pagamentos a credores e manter as operações em curso. De acordo com o gerente Administrativo-Financeiro do frigorífico, Luciano Pascon, em entrevista por telefone à Agência Estado, a prioridade é o pagamento a credores fornecedores, mas os débitos com os demais credores também deverão ser realizados conforme cronograma estabelecido no plano.

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"No primeiro ano do plano, em 2011, pagamos todos os credores fornecedores com créditos de até R$ 25 mil. Neste ano estamos efetuando os pagamentos desses credores com saldo a receber acima de R$ 25 mil. Os trabalhistas já foram pagos", disse o executivo. De fato, em conversas com alguns credores pecuaristas do Frigol na região do Pará nas visitas que a Agência Estado fez com a Equipe 2 do Rally da Pecuária, os débitos foram quitados e a empresa continua adquirindo, à vista, bois para o abate.

Segundo Pascon, os recursos são obtidos por meio do capital levantado pela própria operação. "Tivemos um crescimento nas nossas atividades mais forte a partir de julho de 2011, por causa das mudanças internas (com controles de despesas mais rigorosos e um mix de produtos de maior valor agregado) e também em virtude do cenário macroeconômico e do setor favorável à indústria, com preços mais baixos da arroba do boi gordo, por conta da maior oferta, e aumento das exportações", explicou.

No ano passado, o Frigol teve faturamento de R$ 520 milhões. Neste ano, pretende ter uma receita bruta de R$ 700 milhões, representando aumento de quase 35%. "Nossa perspectiva positiva se baseia em uma maior rentabilidade da carne bovina, por conta do aumento dos insumos que impulsionam os preços das carnes concorrentes, como o frango e o suíno", disse.

O Frigol tem duas unidades - em Lençóis Paulista (SP) e Água Azul do Norte (PA), com capacidade de abate mensal de 17 mil animais e 20 mil cabeças, respectivamente. "Estamos abatendo cerca de 15 mil animais/mês cada, com mais ociosidade na unidade do Pará, onde vemos uma oferta menor no momento", explicou o diretor.

A empresa tem, ainda, uma unidade de abate de suínos, em Lençóis Paulista (SP), com capacidade de abate de 10 mil cabeças/dia. Conforme dados recentes do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea-MT), o Frigol tem uma representatividade de 1,06% no abate total de bovinos do País.

Em 30 de julho de 2010, a agroindústria entrou com pedido de recuperação judicial, sob a alegação de dificuldades financeiras, cuja homologação ocorreu em abril de 2011. "Estar em uma situação de recuperação judicial é difícil. Foi a última opção para continuar trabalhando. Foi uma decisão dura. Até o último minuto tentamos várias formas de nos capitalizar que não deram certo", ressaltou. Pascon lembra que as conversas periódicas com os pecuaristas e a participação efetiva dos acionistas no processo deram credibilidade à empresa e fizeram com que os pecuaristas continuassem a vender seus animais à empresa.

No mês passado, a Frigol Foods Participações obteve autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ser uma companhia aberta na Categoria A, que permite a emissão de quaisquer valores mobiliários, inclusive ações.

Diferente da Frigol S/A, cujo foco de atuação é o abate de bovino e suínos, a Frigol Foods atuará no setor alimentício com produtos de maior valor agregado voltados para os segmentos de food service e varejo.

De acordo com Pascon, a Frigol Foods ainda não está em operação e aguarda o aval da BM&FBovespa para listá-la no Bovespa Mais, mercado de acesso da BM&FBovespa, e atrair fundos de private equity (que compram participações em empresas).

Nesta segunda-feira, os acionistas da Frigol Foods Participações aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), o aumento do capital social da companhia, no valor de R$ 115 mil. Dessa forma, o capital social da Frigol Foods passará dos atuais R$ 60 mil para R$ 175 mil.