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Grupo francês trouxe ao país nova tecnologia de construção para ser utilizada no Minha Casa, Minha Vida

A Saint-Gobain está apostando em uma tecnologia de construção bastante utilizada em países como Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e também da Europa para conseguir galgar espaço no promissor, porém pouco explorado, mercado de moradia popular no Brasil. Sexta-feira passada, o grupo francês participou do lançamento de mais uma fase do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, em parceria com a RCM Construtora. Das 339 casas lançadas pelo programa em Ponta Grossa, no Paraná, 40 contavam com a nova tecnologia.

Segundo Paulo Perez, diretor de projetos da Saint-Gobain no Brasil, três empresas do grupo — Brasilit, Isover e Placo — vem tropicalizando a tecnologia para a demanda nacional há três anos. O principal diferencial do modelo de construção em relação aos tradicionais é a rapidez e o pouco desperdício de material. “No preço final, a casa construída no processo a seco (que não utiliza água durante a construção) tem praticamente o mesmo custo que uma de alvenaria. A diferença está no tempo de execução da obra e na economia de recursos”, explica.

No processo desenvolvido pela Saint-Gobain, as casas são montadas de formas realmente industriais, utilizando placas cimentícias sem amianto, produtos para isolação térmica e acústica em lã de vidro e placas de drywall. Estes produtos são parafusados em um sistema de estruturas leves de aço.

Perez explica que entre a finalização da fundação e o início da fase de acabamento da edificação, o sistema construtivo a seco demanda apenas um quarto do tempo que leva o método habitual. Dependendo do projeto, isso pode representar uma redução de 35% a 40% do tempo total da obra.

“A qualidade é a mesma de um sistema tradicional. O drywall que utilizamos é o mesmo de apartamentos de alto luxo. Não há um empobrecimento dos materiais para chegar a um custo financeiro”, explica o executivo. “O preço menor fica por conta da gestão no canteiro, onde temos uma movimentação menor de materiais e desperdício praticamente zero.”

A área de materiais de construção representa cerca de 2/3 dos negócios da Saint-Gobain, porém, o mercado de habitação popular ainda é pouco explorado pela empresa. Perez explica que a companhia já tem projetos em negociação avançados em outras regiões do país. A maior dificuldade nos projetos populares é o custo exigido pelo governo para permitir o financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida. “Há muitas discussões se os valores colocados pelo governo estão adequados ao mercado de construção hoje. Mas acreditamos que, com escala, poderemos ser bem competitivos.”

Minha Casa, Minha Vida

O Programa Minha Casa, Minha Vida terá R$ 46,7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a construção de 600 mil casas até o ano de 2014. O foco do programa são famílias com renda mensal de R$ 3,1 mil, que podem ter até 95% do imóvel subsidiado. Também estão nos planos a construção de 200 mil casas para quem ganha até R$ 5 mil.

Em agosto, o Minha Casa, Minha Vida alcançou 1 milhão de casas construídas. A maior dificuldade do programa é oferecer imóveis em grandes centros, onde os preços de terrenos e construção estão elevados pela especulação imobiliária.

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