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Mineradora deve se desfazer de 19 blocos petrolífero para manter foco em minerais, mas irá manter gás natural para suprir demanda própria pelo energético

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, sinalizou nesta terça-feira (26) que os ativos de petróleo mantidos pela mineradora não deverão permanecer no portfólio de projetos da empresa. “Ser um gestor é estabelecer as prioridades com base no foco e a vale é uma empresa de mineração”, afirmou, durante a inauguração de usina de biodiesel no Pará, ressaltando que o foco é em minério de ferro, cobre e fertilizantes.

De acordo com Ferreira, a mineradora contratou o Citibank e o Scottbank para estruturar um plano de negócios para área de petróleo. “A decisão da venda total, parcial ou swap vai ser tornada no momento certo. Os bancos é que indicarão a melhor alternativa”, diz.

Vale estuda projeto de biodiesel na Malásia

A Vale detém 19 blocos petrolíferos arrematados em leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Desde 2008, a empresa realizou campanhas de exploração nas Bacias de Santos e Espírito Santo, onde realizou quatro descobertas de óleo.

A venda desses ativos é parte de uma faxina no portfólio que Ferreira vem fazendo desde que assumiu o comando da companhia há um ano. E incluiu recentemente para venda de ativos em carvão térmico na Colômbia para a CNR (Colombian Natural Resources). O argumento foi de que o foco da Vale é carvão metalúrgico (misturado ao minério de ferro para produzir aço). A transação foi concluída ontem por US$ 407 milhões.

Gás segue no portfólio

As reservas de gás natural da Vale, contudo, não deverão sair do portfólio. O energético é apontado pela diretora Vânia Somavilla, da área de RH, sustentabilidade e energia como “matriz de transição” entre o petróleo e a hidrelétrica, não poluente.

Segundo a executiva, a Vale está reformulando sua estratégia energética para ampliar o peso do gás na sua cesta de consumo. “Nosso foco é ter projetos de gás para manter nosso suprimento”, diz.

A posição inclui manter a participação em blocos petrolíferos no quais há incidência de gás natural. O energético é parte dos insumos usados na produção de fertilizantes. A Vale tem projetos bilionários de fertilizantes em Sergipe e na Argentina.

Não à toa, a empresa diz ter assimilado o susto gerado pela estatização da petrolífera YPF pelo governo argentino. A mineradora é sócia de bloco de gás no norte do país vizinho. O insumo é vital o desenvolvimento do projeto Néuquen, orçado em US$ 5,9 bilhões. Após a nacionalização da petrolífera pelo governo Cristina Kirchner, o presidente da mineradora demonstrou preocupação coma garantia jurídica de projetos na Argentina. “Não temos problemas com a YPF. Todos os compromissos estão sendo cumpridos”, diz o diretor global de energia, João Coral.

A Vale detém 50 do bloco dividido com a YPF no norte da Argentina. Até o final deste ano a campanha de exploração da reserva será concluída e, partir do resultado, o projeto de viabilidade econômica da reserva será definido. “O projeto Rio Colorado [em Neuquén, na Argentina] tem um problema sério de fornecimento de energia. Com esse bloco com a YPF, estamos securitizando nossa operação [de fertilizantes]”, afirma Coral.

O repórter viajou a convite da empresa


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