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Mineradora levará modelo de produção de óleo a partir do dendê desenvolvido em Moju, no Pará, para suprir demanda das operações no país do sudeste asiático

A estratégia global da Vale de ampliar a base de produção de insumos minerais e aumentar os centros de distribuição para reduzir o custo logístico até a China ganha reforço agora da área de energia, cuja meta é elevar o auto suprimento de gás, biodiesel e eletricidade. A mineradora estuda como novo passo produzir biodiesel a partir de óleo de dendê na Malásia, sudeste asiático, onde instala complexo industrial para processar minério de ferro com aporte de US$ 1,3 bilhão. “Estamos estudando um projeto desse tipo na Malásia, com base em agricultura familiar”, diz ao iG Economia o diretor global de energia, João Coral.

Segundo o executivo, o fornecimento do óleo como base para combustível nas operações malaias em estudo é similar ao desenvolvido em Moju, no nordeste do Pará, onde a Vale inaugura nesta terça-feira (26) a primeira parte da usina Biopalma. A empresa, 70% Vale e 30% grupo MSP, irá moer 560 mil toneladas de dendê extraídas de palma plantada em 80 mil hectares de área recuperada de pastagens entre Moju e Acará até 2015.

O processo renderá 120 toneladas de óleo que serão misturados ao diesel usado nas locomotivas, navios e caminhões da mineradora. A Vale absorve hoje 3% do volume de diesel consumido no Brasil.

A Biopalma recebe investimento de US$ 500 milhões para reduzir em 15% o consumo de diesel da Vale, a partir da adição de 20% de óleo de dendê ao combustível, formando o B-20. A mistura é parte da estratégia da Vale para reduzir em 5% sua emissão de gás carbônico (CO2), causador do efeito estufa, em todas as operações. A mineradora emite atualmente 12 milhões de toneladas de CO2. A adição de óleo de dendê ao diesel irá contribuir com a retirada de 22 milhões de toneladas de gás carbônico em 25 anos de operação da Biopalma.

O passo seguinte pode ser a venda de créditos de carbono pela mineradora. “Ainda não existe um mercado para venda de crédito de carbono. A Vale gostaria que tivesse”, diz a diretora de RH e sustentabilidade, Vânia Somavilla.

O jornalista viajou a convite da empresa

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