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Segundo o presidente da empresa , Carlos Fadigas, cabe ao governo criar incentivos para que as empresas invistam em sustentabilidade

O presidente da Braskem, Carlos Fadigas, defendeu, nesta segunda-feira (18), uma atuação mais presente do governo no estímulo à adoção de práticas sustentáveis por parte das empresas brasileiras. Segundo ele, cabe ao governo, como representante da sociedade, fomentar a economia verde a partir de tributação.

“A ideia é criar incentivos para produtos que são mais sustentáveis em sua produção ou em seus efeitos (sobre o meio ambiente) e manter a tributação sobre os outros produtos. Dessa forma, você cria um incentivo econômico fundamental para que as empresas possam tomar a decisão correta, que é seguir investindo em sustentabilidade”, afirmou Fadigas durante a apresentação de documento com os compromissos assumidos pelas empresas que integram a Rede Brasileira do Pacto Global, em evento paralelo à Rio+20 .

Veja a cobertura completa da Rio+20

Durante o evento, Fadigas reforçou o interesse da Braskem em aumentar a produção de plástico verde, produzido a partir do etanol. Atualmente, a empresa produz 200 mil toneladas de plástico verde por ano, frente a uma produção total de plástico de 7,7 milhões de toneladas/ano.

“A Braskem fez um investimento de US$ 350 milhões no ano passado para construir uma planta de plástica verde e que tem uma série de outros projetos no ‘pipeline’. Mas, para que eles possam deslanchar, é preciso contar com um ambiente de negócios mais favorável”, reforçou.

Questionado sobre o potencial do Brasil de produzir etanol, Fadigas lembrou que o País tem o maior volume de terras agriculturáveis no mundo e que não existe disputa entre o uso de terras para produção de alimentos e de etanol. “O Brasil tem potencial para ser uma Arábia Saudita não só do combustível renovável, como da química verde. Os primeiros passos já foram dados. Agora, é seguir essa tendência”.

Pacto Global

Braskem, Petrobras, Itaipu e CPFL apresentaram nesta segunda-feira uma carta de compromissos para o desenvolvimento sustentável de suas operações. As quatro empresas representaram as 226 empresas signatárias do documento “Contribuição Empresarial para a Promoção da Economia Verde e Inclusiva”, que foi entregue à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Entre os 10 compromissos assumidos pelas empresas brasileiras estão o reforço de investimentos em inovação e tecnologia, a busca por resultados econômicos sustentáveis e a definição de metas concretas para a sustentabilidade.

O Pacto Global é uma iniciativa criada pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, para mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, combate à corrupção e meio ambiente, entre outros. No mundo, mais de 7 mil companhias já aderiram aos princípios do Pacto Global e a meta da ONU é triplicar esse número até 2020. No Brasil, pouco mais de 400 empresas integram a Rede Brasileira.

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