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Companhia chinesa está investindo para combater a percepção de que suas fábricas são lugares de exploração com condições precárias

A Apple e a Foxconn, sua principal fornecedora, vão rachar os custos iniciais da melhora das condições de trabalho em fábricas chinesas que montam iPhones e iPads, declarou na quinta-feira o presidente do Foxconn Technology Group.

Terry Gou, o chefe da Foxconn, não ofereceu estimativa quanto ao custo, mas sua empresa vem investindo pesadamente para combater a percepção de que suas imensas fábricas na China são lugares de exploração, com condições precárias de trabalho para o milhão de operários que a companhia emprega. Na interpretação da Foxconn, as críticas são injustas.

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"Descobrimos que isso (melhorar as condições das fábricas) não é um custo, mas uma vantagem competitiva", disse Gou a jornalistas na quinta-feira, depois da cerimônia de início da construção de uma nova sede para as operações chinesas da companhia, em Xangai.

"Creio que a Apple, como nós, veja esse aspecto como vantagem competitiva, e por isso racharemos os custos iniciais", acrescentou.

Não se sabe se a divisão dos custos será meio a meio ou envolverá diferentes percentuais.

A Foxconn anunciou na metade de fevereiro um aumento de entre 16% e 25% nos salários dos operários, e no final de março chegou a acordo com a Apple para contratar dezenas de milhares de novos trabalhadores a fim de reduzir as horas extras.

Os analistas atribuíram os resultados inferiores aos esperados da Hon Hai Precision Industry, a controladora da Foxconn, no primeiro trimestre, basicamente à alta nos salários.

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A Hon Hai vinha tentando cortar seus custos de mão-de-obra na China pelos últimos dois ou três anos, e transferindo fábricas a regiões dos país nas quais o custo do trabalho é mais baixo.

A produção da Foxconn na China se concentrará nos consumidores internos desse mercado de 1,3 bilhão de pessoas, bem como na pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e em vendas e serviços, segundo Gou.

Nos dois últimos anos, houve uma série de suicídios de trabalhadores nas grandes fábricas da Foxconn, que fabricam os produtos da Apple e aparelhos para outras grandes marcas, como Microsoft e Nintendo.

A Apple e a Foxconn fecharam acordo alguns meses atrás para melhorar as condições de trabalho dos operários que montam aparelhos para a companhia norte-americana.