Tamanho do texto

Empreiteira é suspeita de bancar esquema de pagamento de propina a políticos via Carlos Augusto Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira

O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, empreiteira acusada de financiar o esquema de distribuição de propina e influência política comandado pelo empresário de jogos de azar  Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , diz que vai quebrar. Em entrevista à Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de S.Paulo, ele negou conhecer o senador Demóstenes Torres e outras figuras envolvidas no escândalo , e declarou que não tem caixa para suportar a interrupção do pagamento pela construção de obras públicas.

Leia também:

Congresso cria CPI do Cachoeira em meio a desconfianças

Jogo do bicho na Esplanada dos Ministérios ignora a CPI

“Quando a mídia vem com essa intensidade, existe uma reação imediata do órgão de controle. Agora virei leproso, né? Agora eu só tenho defeitos, eu sou bandido”, diz na entrevista. “O cliente (governo), que é um cliente político, abre sindicância para mostrar isenção. Suspende pagamento”.

Ainda segundo a Folha, o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), de quem Cavendish é amigo há dez anos, de fato anunciou que o estado poderá declarar a construtora inidônea e impedir que participe de licitações.

A Delta é hoje uma das dez maiores construtoras do Brasil. No ranking mais atual da revista especializada O Empreiteiro, referente à 2010, a empresa aparece na 7ª colocação, com receita de R$ 2,4 bilhões – em 6º aparece a Galvão Engenharia, com R$ 3 bilhões e, em 8º, a Construcap, com 1,6 bilhão. Um ano antes, a Delta teve receita de R$ 2,1 bilhões.

Somada a receita de 2010 e 2011, Cavendish diz na entrevista que a Delta movimentou R$ 5 bilhões, o que permite supor que a receita bruta da empreiteira, no ano passado, foi de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Fundada em Recife (PE), pelo pai de Cavendish, a empresa começou especializando-se em rodovias (construção, restauração e conservação), até que, em 1995, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a buscar novos segmentos de mercado, como saneamento, infraestrutura urbana, engenharia ambiental, obras especiais e incorporação.

Entre as obras de maior destaque no histórico recente da Delta está o Terminal 4 de passageiros do aeroporto de Guarulhos, contratado pela Infraero no ano passado em regime de urgência, sem licitação, e inaugurado no início deste ano. A empresa participou da ampliação da Marginal Tietê, em São Paulo, e tem no currículo reformas nos estádios cariocas João Havelange (Engenhão) e Maracanã, além de grandes contratos de manutenção de estradas, incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e de construção, com o Exército.

Segundo Cavendish, na entrevista à Mônica Bergamo, a Delta tem cerca de 46 mil fornecedores. Funcionários, seriam mais de 20 mil, em obras em todo país. O Grupo do qual faz parte, tem ainda outras três empresas, dedicadas às áreas de energia, incorporação e montagens industriais.