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Atenta ao potencial de mercado para produtos com apelo ecológico, a Química Amparo, dona da marca Ypê, está lançando um sabão em pó livre de fosfato - substância que auxilia no processo de limpeza mas provoca poluição nas águas. A idéia é antecipar uma tendência de mercado para produtos de limpeza ambientalmente corretos e ganhar fôlego para disputar mercado com gigantes como Unilever e Procter&Gamble.

Na formulação do novo sabão, o Ypê Premium, a empresa vai substituir o componente conhecido pela sigla STPP (tripolifosfato de sódio) por zeólito, um mineral que desempenha a função de coadjuvante na limpeza, mas com menor impacto ambiental. Para isso, uma nova fábrica foi construída dentro do complexo industrial de Amparo (SP).

"O objetivo, com a nova tecnologia, é atingir 5% do mercado de sabão em pó em dois anos", diz Waldir Beira Júnior, diretor da Química Amparo. O produto vai custar entre R$ 4,80 e R$ 5,00, mesma faixa de preço dos concorrentes Omo (Unilever), e Ariel (Procter&Gamble). Segundo o diretor, o projeto consumiu dois anos de pesquisas e investimentos.

"Tirar o fosfato da formulação encarece o produto, mas o objetivo é ir além da legislação. Agora vamos saber se o consumidor aceita pagar pelos benefícios ambientais, o que para nós é um risco também", diz Beira Júnior. Atualmente a Ypê tem 10% de participação de mercado em sabão em pó, segmento em que atua desde 2000.

A novidade, porém, não é inédita no mercado brasileiro. Já existe oferta de produtos de limpeza livres de fosfato. "É um nicho que só agora começa a ser desbravado", diz Hermes dos Santos, responsável técnico da Cassiopéia, pequena empresa que fabrica a marca Bio Wash.

Regulação

Até 2005, o STPP respondia por até 15% da formulação dos sabões em pó comercializados no País. A resolução 359/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) impôs a redução gradativa do componente nos produtos de limpeza, sem bani-lo. Países como Japão e Holanda já eliminaram a substância. "A tendência mundial da indústria é de reduzir o uso de STPP, por causa da eutrofização", diz Gracinda Garófalo, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Em nota, a Unilever afirmou que "está totalmente alinhada aos prazos e condições estipulados pela resolução 359/05 do Conama, que estabelece a redução gradual do fósforo em detergente em pó." A Procter&Gamble não se manifestou.

Segundo Maria Eugênia Saldanha, diretora da Abipla, entidade que representa os fabricantes de produtos de limpeza, não é só o STPP do sabão em pó que provoca poluição. "Os últimos estudos mostraram que apenas 8% do fósforo presente nas águas vinha dos detergentes. A maior parte vem de outras fontes que não têm sido monitoradas, como fertilizantes e esgoto sem tratamento."

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